sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Casas devolutas em Vila Franca de Xira, dezembro 2018


Há muito tempo que ando para escrever este artigo, tem-me faltado a coragem, pois interesso-me pela minha cidade, mas não me parece que a CM tenha feito pressão junto dos moradores, para que ganhem brio e vontade fazer melhor, numa cidade que é de todos e para todos.

Esta paisagem urbana não cativa, ter-se-á que criar um incentivo para que os moradores mais desinformados consigam reparar as suas habitações.

O problema que encontro é a quantidade de comércio encerrado. Muitas lojas encontram-se para alugar, mas com valores extremamente altos, impróprios para uma cidade com esta dimensão e para o tipo de negócio que aqui se pratica.


Antigo edifício da Barbearia "Atomica", em Vila Franca de Xira. Este espaço em plena Rua Serpa Pinto, em Vila Franca de Xira, aumenta o cenário péssimo de ruína em que a cidade se encontra. Até quando vamos ter que olhar para esta rede horrível?


Esta obra encontra-se começada há mais de 10 anos, junto à Marisqueira União, será para continuar com este aspecto?



É inutil ter um edifício abandonado na principal rua de comércio de Vila Franca de Xira. Este edifício de três pisos e loja (que está a funcionar) foi onde esteve implementado vários anos o Posto Médico e de Vacinação. Se fosse recuperado, poderia albergar algumas famílias...


Este lençol gigante "Mais Habitação Jovem" encontra-se a cobrir o edifício há mais de um ano. para quando uma resolução?


Mais uma obra da Câmara...




Esta era uma carvoaria, agora é uma parede prestes a ruir. O telhado já foi...



Este edifício prestes a ruir encontra-se na travessa da Misericórdia, junto à unica Igreja da cidade que serve o proposto, em dignas condições.

Este edifício sofreu um incêndio há uma série de anos. Localiza-se na Praça Pedro Vitor, uma das mais centrais da cidade. Neste momento é um pombal em ruínas.


Edifício de 2 pisos e loja num dos principais largos da cidade. É ridiculo manter este enorme edificio em ruínas, ainda para mais num sítio com imensa visibilidade, só denigre a cidade e aumenta o cenário "pós-guerra".

Outra na Praça Pedro Vitor

Esta é mesmo à entrada da cidade, junto ao cemitério.



Rua Dr. Miguel Bombarda (Rua Direita)

Rua Dr. Miguel Bombarda (Rua Direita)


Rua Serpa Pinto

Rua Serpa Pinto

Rua Serpa Pinto


Todo um quarteirão que poderia ser potenciado, junto à Estação de Comboios de Vila Franca de Xira. É incrivelmente mau o aspecto que dá à famosa "Rua da Estação" e quantas famílias caberiam em todos estes edifícios?


Assembleia Municipal da Câmara Muncipal de Vila Franca de Xira


Antigo Edifício da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, junto à Igreja Matriz de S. Vicente Mártir.


segunda-feira, 24 de setembro de 2018

sábado, 24 de março de 2018

Capitalismo centralizador e problemas adjacentes


Breves notas sobre a (re)evolução civilizacional
“ Hoje em dia, o ser humano apenas tem ante si três grandes problemas que foram ironicamente provocados por ele próprio: a super povoação, o desaparecimento dos recursos naturais e a destruição do meio ambiente. Triunfar sobre estes problemas, vistos sermos nós a sua causa, deveria ser a nossa mais profunda motivação.”
 Jacques Yves Cousteau (1910-1997)

Os grandes centros urbanos encontram-se sobrelotados ou superpovoados, quer de edifícios, quer de pessoas, o que faz com que as zonas mais rurais fiquem despovoadas, ou até desertificadas. O despovoamento do interior assume-se como um problema de fortes dimensões, a população vê nas cidades a fonte das suas possibilidades, desencantando-se e desacreditando-se dos potenciais benefícios de viver e trabalhar no campo. Em consequência, descurou-se a qualidade de vida que as zonais rurais oferecem, em prol de um stress citadino, indissociável da manifestação de imensos casos de perturbações mentais.
A falta de emprego nas zonas mais rurais acaba por se revelar num dos factores impulsionadores da imigração: interior-litoral, para as zonas de onde se concentram as maiores cidades. Estes territórios do interior careceram de estudos de oportunidades e viabilidades socioeconómicas e de interesses capazes de garantir a sustentabilidade e autenticidade das populações vernaculares. Esta forte lacuna teve como resultado muitas aldeias que se viram praticamente em estado de abandono.
Sabe-se que a ocupação destes territórios mais remotos tem sido assegurada por estrangeiros que acabam por adquirir quintas e aí se fixam, investindo e criando postos de trabalho, particularmente na área do Turismo. Criam-se Estalagens de Turismo Rural com diversas atividades ao ar livre e puro, atraindo um tipo de turista adepto da vida saudável, que procura um refúgio longe das grandes cidades e que valoriza a Natureza.
Este êxodo rural, fortemente impulsionado pela Revolução Industrial, não está isento da responsabilidade da criação de graves impactes ambientais. A problemática da poluição tem vindo a ser um tema vastamente debatido mas, ao invés de uma reversão nesta matéria no sentido de uma evolução positiva, lê-se que o nosso país, em particular, e o planeta, no geral, estão cada vez mais poluídos. Perceba-se que este índice de poluição, em certa parte, advém de plataformas fabris que, durante e após a Revolução Industrial, não cessam de contaminar o nosso mundo. O uso da máquina “pro-bono”, como sejam os transportes, ou até maquinaria agrícola e industrial, também contribuem para aumentar a pegada ambiental.
Entre os principais factores para este aumento da poluição estão: a queima de resíduos urbanos, industriais, agrícolas e florestais, feita muitas vezes, em situações incontroladas; a queima de resíduos de explosivos, resinas, tintas, plásticos, pneus são responsáveis pela emissão de compostos perigosos; os fogos florestais, com especial incidência nos últimos anos, são responsáveis por emissões significativas de CO2; o uso de fertilizantes e o excesso de concentração agro-pecuária; as indústrias de minerais não metálicos, a siderurgia, as pedreiras e áreas em construção, são também fontes importantes de emissões de partículas.
Foi no reinado de D. Sancho I (Coimbra, 11 de Novembro de 1154 – Coimbra, 26 de Março de 1211) que se começou a perceber a importância de um povoamento descentralizado, numa tentativa de proteção territorial e da criação de rotas entre cidades chave, garantindo e facilitando trocas comerciais e obviamente a ligação entre todo o território, em condições de segurança.
                  Apelidado de O Povoador, D. Sancho I apadrinhou o povoamento do território português, realizado à medida das conquistas das várias cidades, chamando colonos estrangeiros que distribuiu pelas diversas terras, entregando-lhes o cultivo dos campos, conseguindo assim aumentar não só a população do país, como também a sua riqueza. Por outro lado, D. Sancho I tentou reforçar e proteger as fronteiras do inimigo, para o que decidiu então entregar grandes propriedades no Alentejo aos freires de Évora, verdadeiros profissionais de guerra, e à Ordem de Santiago, para que as defendessem. As zonas de fronteira tinham pouca gente, e estavam portanto à mercê de possíveis invasões, assim D. Sancho I debaixo de uma forte intenção em desenvolver e fortificar aquelas áreas procurou atrair famílias para estas zonas. Para tal concedeu regalias a quem aí se quisesse instalar, tais como terras para cultivo, pastagens, dispensa de pagamento de alguns impostos, perdão de crimes, entre outros.
A centralização de bens e serviços é prática comum que apresenta as suas vantagens, pois concentra-os junto do sistema civilizacional. Por outras palavras, a sociedade acaba por ter acesso à informação mais rapidamente, evitando longos percursos, demorados tempos de viagem e gastos desnecessários. Em contrapartida, com a grande desvantagem de termos o congestionamento da cidade e consequentemente dos sistemas que, à pirori, seriam a vantagem desta centralização. Esta vantagem, torna-se numa grande desvantagem.
A vida moderna, como foi bem foi representada no filme Playtime de Jacques Tati, em 1967, continuará a ser vivida com uma grande dose se solidão, maior do que a vivida nos grandes campos rurais. O Homem moderno é individualista, ainda que viva numa avenida muito povoada ou até num edifício com bastantes fogos, não se perde em saudar os demais transeuntes, antes ignora-os. O smartphone pode afirmar-se como marco civilizacional, pois veio facilitar muito o quotidiano, a questão da velocidade e da portabilidade, por outro lado, veio trazer um novo universo de preocupações. Alimentar as redes sociais, nas quais somos pessoas fictícias e fazemos amizades virtuais, de maneira a acalentar o ego, parecendo assim que estamos rodeados de amigos, o que na verdade não passa de um álbum fotográfico de dezenas de retratos que, na maioria, nem conhecemos.
Escravos de uma sociedade consumista e fútil que vive o momento e que valoriza as relações virtuais ao invés das relações presenciais. As camadas mais jovens integram-se pelos consumos, seja em que formatos forem, gastando tempo e iludindo-se em que estão acompanhadas, quando no final a sua verdadeira companhia consiste numa parafernália de equipamentos ou gadjets que devoram um tempo sem tempo, como que compensando assim o tédio citadino ou uma solidão perpétua. O nosso tempo de hoje é rápido e efémero, gasta-se e pouco ou nada se vive, contrapondo-se a uma elevação dos comportamentos autênticos e ao verdadeiro regresso à “pureza” das coisas da vida.

André Lopes Cardoso
Secretário-Geral da JMP 




quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Natureza na actualidade

O conceito de Ecologia, é desde há muito tempo, uma das preocupações cimeiras do dito ideal monárquico e é revelador, claro está, da qualidade de vida no nosso planeta. Existem vários exemplos que podia abordar sobre plantações e formas de preservação da Natureza que evidenciam ou demonstram uma preocupação com as temáticas da Ecologia e da Biosfera.
Como sabemos, o Pinhal de Leiria, ou Pinhais Reais de Leiria, foi um grandioso projecto iniciado pelo rei D. Afonso III (1248-1279), com o qual se percebe a importância da Ecologia, enquanto tentativa de travar o avanço e degradação das dunas, protegendo também a cidade de Leiria e toda a área/região agrícola circundante à cidade. Durante anos, o corte de árvores foi seguido de replantação, mantendo-se o pinhal intacto e rejuvenescido. Foi no reinado de D. Dinis que o pinhal assistiu ao seu maior crescimento. A sua manutenção era assegurada pelo Guarda-Mor dos Pinhais de El-Rei, o Guarda e Couteiro das Matas dos Pinhais do Rei, responsável pela segurança de toda a área.
Além de garantir a preservação das dunas no litoral e proteger a cidade dos efeitos da erosão, anos mais tarde o pinhal teve também um importante papel, para os Descobrimentos Marítimos, com a utilização da madeira dos pinho na construção de embarcações. Também nos séculos XVIII e XIX, contribuiu enquanto impulsionador das indústrias da construção naval, vidreira, metalurgia e de produtos resinosos. A madeira era utilizada como matéria-prima ou como adjuvante na produção de energia tanto pelas indústrias, como no próprio aquecimento das habitações.
Outro marco de sucesso no campo da Ecologia foi o Parque da Serra de Sintra que ainda nos dias de hoje nos oferece magnificas paisagens e um enquadramento holístico e místico à vila de Sintra. O apogeu da plantação do Parque da Serra de Sintra aconteceu durante o reinado de D. Fernando II (Saxe-Cobourg-Gotha), em pleno século XIX, após a compra do Palácio Nacional da Pena. Esta plantação surge em resultado da ideia de enriquecer toda a envolvente do palácio, numa experiência de recriação do Castelo de Neuchwanstein na Alemanha, plantando-se para o efeito, nas escarpas da Serra de Sintra árvores raras e exóticas, criando em simultâneo fontes, cursos de água e lagos. Para além desta nova plantação, o monarca tratou de replantar a floresta já existente, nomeadamente com carvalhos, e pinheiros mansos indígenas, ciprestes mexicanos, acácias da Austrália, entre várias outras espécies.
Todo este legado de uma refinada preocupações com as plantações vem sendo descurada ao longo dos últimos anos. Planta-se desordenadamente, debaixo de uma cultura hegemonicamente capitalista e desordeira, de que é exemplo a aposta na quase monocultura do eucalipto que se vem revelando uma verdadeira praga. O drama dos incêndios que vêm ocorrendo no nosso país, não é alheio a um deficiente ou ausente planeamento territorial que implica estratégias ao nível de espécies arbóreas, desmatação e limpeza de terrenos a par de um trabalho continuado de vigilância e protecção da floresta. Embora esta seja uma temática da actualidade que está em cima da mesa, as soluções tardam a ser apresentadas. Se pensarmos que, durante o Governo de Salazar existiam dois grupos profissionais que asseguravam o bem da qualidade florestal, podemos questionar se a nossa “evolução” tem sido feita da melhor maneira; refiro-me aos cantoneiros que asseguravam o tratamento e limpeza dos caminhos em áreas particularmente rurais e aos guardas-florestais, que, tal qual o nome indica, são os guardadores das nossas florestas, da nossa Natureza. Sabe-se que com estes dois “preventivos” sistemas, o risco de incêndio e de outras tantas contaminações seria reduzido.
Também o rito da caça assume o seu contributo como medida de preservação de espécies num contexto de Ecologia. No caso do javali, animal que se encontra no topo da cadeia alimentar e também em regime de praga (principalmente na zona arraiana), terá de ser controlado sob risco de exterminar as espécies que estão abaixo na cadeia alimentar, como é o exemplo dos coelhos ou mesmo, de arruinar terrenos agrícolas, como milharais. Esta caça não passa por ser apenas um desporto, chamo-lhe actividade de controlo venatório, na medida em que controla a praga e elimina os animais doentes e transmissores de doença a outras espécies. Fundamental também, não menosprezar a presença do homem e o contacto com a natureza enquanto mais-valia para evitar calamidades ou mesmo no seu combate ao poderem mais rapidamente ser identificadas situações de desordem territorial.

O ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas tem feito um óptimo trabalho neste sentido com a contribuição para a conservação da Natureza e das espécies que nela habitam. É fundamental assimilarmos que a Natureza tem de ser controlada, vigiada, a isto denomina-se preservação. É com base neste espírito que a Juventude Monárquica Portuguesa, organiza anualmente um evento dedicado à vida campestre. O Dia de Campo do ano corrente teve lugar na Ganadaria J. Rosa Rodrigues, na Chamusca, num extraordinário ambiente de convívio, com almoço, tenta de vacas bravas e uma visita guiada aos campos da região. Este evento permite às camadas mais jovens perceberem a interiorização da Agricultura, da Ecologia e das mais variadas temáticas ambientalistas, sensibilizando-as para a preservação e conservação das mesmas, indispensáveis à afirmação da verdadeira cultura de sustentabilidade comprometida com o bem-estar das gerações actuais e vindouras.

André Lopes Cardoso
Secretário geral da JMP, publicado in Real Gazeta do Minho, 30 de Junho de 2017

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Novos Turismos Lezíria e o Cavalo

No passado dia 09 de Maio, no Auditório da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, debateu-se o tema Novos Turismos – Lezíria e o Cavalo. Este fórum organizado pela própria Junta de Freguesia contou com a presença do orador Dr. José Veiga Maltez, presidente da ANTE – AssociaçãoNacional de Turismo Equestre.

ANTE - Associação Nacional Turismo Equestre,
logótipo oficial


O Auditório estava bem composto, contou-se com presenças, o Sr. Presidente da Junta Mário Calado, Vice-Presidente João Conceição, Sr. Pedro Pietra Torres (representando as Actividades Equestresda Quinta do Bulhaco, em Trancoso), o matador Francisco Palhota, o matador José Júlio, especialistas em Atrelagem Dr. António Apolinário e D. Cristina Guerreiro (da Coudelaria António Guerreiro, Vila Franca de Xira), D. Maria Eugénia Casquinha (representando a Coudelaria Casquinha,Vila Franca de Xira), D. Isabel Palha Figueiredo (representado Amazonas de Portugal), Escola de Alter do Chão.
Quinta do Bulhaco, logótipo oficial

A apresentação do Fórum de Discussão ficou a cabo do Dr. David Fernandes Silva, do Departamento da Junta de Freguesia de Vila Franca, começando por cumprimentar o Orador convidado e o público.
Fez-se uma breve apresentação do Cavalo Lusitano, o qual habitou na campina da Lezíria e particularmente os momentos de turismo equestre que cá existem há vários séculos, como seja a Feira de Outubro, Colete Encarnado, Romaria a Nossa Senhora de Alcamé, o descontinuado Salão do Cavalo; e, momentos de reforço da nossa identidade equestre como sejam os Centros Hípicos e Escolas de Equitação.
 Coudelaria Casquinha

Apresentou-se ainda um conjunto de pinturas de alguns artistas vilafranquenses, como seja, Ana Maria Malta, Hermínia Mesquita e Ville, focados no tema do Fórum Equestre.
Após a apresentação do Fórum, o Dr. Maltez começou por apresentar a ANTE, que se localiza na “Capital do Cavalo”, Golegã e as suas actividades numa tentativa de dinamizar o Turismo Equestre em Portugal. Durante todo o Fórum foi feito um paralelismo entre o Turismo Equestre e a Vila da Golegã, fazendo-se entender que a malha urbana é colaboradora para uma melhor paisagem e, claro está, para a bucólica que o Turismo Equestre requer.



Extrapolou-se o conceito de Turismo a Cavalo, que é tudo aquilo que se passa directamente com o animal como: Montar, carro de cavalos (Atrelagem), Obstáculos, Ensino; e o conceito de Turismo do Cavalo, que são todas as actividades que estejam relacionadas com o universo cavalar, como seja, A Escola Portuguesa de Arte Equestre, Museu dos Coches, Correeiro, Ferrador e profissionais que desenolvem todos os artefactos inerentes ao desporto, imaginário do Campino.

Turismo Equestre Portugal, logótipo oficial

Criação da Marca Turismo Equestre Portugal – motivar pela qualidade.

Coudelarias de Vila Franca de Xira
Após o forum, comecei a compor ferros de Coudelarisa da região de Vila Franca de Xira, desenvolvendo-os em formato vectorial, de maneira a não perderem qualidade. 
Caso precise de algum ajuste no seu ferro não hesite em contactar.

André Lopes Cardoso

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Calças de Cós Subido

O Traje Português é um universo bastante rico e diversificado, tal qual os nossos usos e costumes que variam imenso de região para região. Como bem sabemos, o Traje Português foi pensado de acordo com o ofício de cada um, facilitando assim a execução das diversas actividades.
Falo-vos hoje das Calças de Cós-subido ou, como são vulgarmente apelidadas “calças até aos olhos”. Se repararmos no Traje Português de Equitação, as calças também são de cós-subido com abotoamento frontal, de maneira a apoiar os rins quando se monta a cavalo. No Traje Português, tudo tem sentido, e no caso das calças de homem este pormenor de apoiar os rins é nuclear, porém eram normalmente confeccionadas em fazenda ou algodão forte, de modo a aguentarem a rigidez do trabalho do campo; sabe-se que este tipo de vestimenta era muito utilizada pelos Lavradores e, particularmente no Ribatejo, a vida destes homens era passada a cavalo, quer desbastando cavalos, quer ferrando, cultivando, apartando gado.
Algumas destas actividades são mencionadas por João Chora, no Fado “Homem do Ribatejo”:

O homem do Ribatejo tem de sobejo coisas do céu
A chuva que vem do cimo, o Sol a pino e a mão de Deus
Terra que em ondas de mágoa, faz do campino um valente
O Tejo dá-nos a água que quer abraçar a gente

Pega um toiro em Alcochete
Vai cantar a Vila Franca
Monta um baio em Salvaterra de calção e meia branca
Vai à feira a Santarém
Há fandango em Almeirim
Nas adegas do Cartaxo bebe um sonho até ao fim

Irmão da terra e do gado, cantor de fado, homem de fé
Traz a lezíria no peito, não perde o jeito de ser quem é
Cresceu nas crinas do Tejo, sabe brandir quando quer
Aguilhão do desejo nos braços d'uma mulher

À Senhora do Castelo, em Coruche, a oração
E na Feira do Cavalo da Golegã, animação
Já passou pela Chamusca, entrou numa tasquinha
Vai também a Benavente pela festa da sardinha

Pega um toiro em Alcochete
Vai cantar a Vila Franca
Monta um baio em Salvaterra de calção e meia branca
Vai à feira a Santarém
Há fandango em Almeirim
Nas adegas do Cartaxo bebe um sonho até ao fim

Portugal é um país cheio de apontamentos de requinte, mas ao mesmo tempo de simplicidade e as questões de Vestuário estão todas muito bem pensadas, cumprindo sempre uma necessidade.


Calças de cós-subido utilizadas na Tenta de Novilhos

Calças de cós-subido utilizadas para montar a cavalo

terça-feira, 4 de abril de 2017

Quinta do Oratório ou será Quinta do Alentejo?!

Não se sabe ao certo em que século surge a Quinta do Oratório, mas segundo investigações paroquiais, sabe-se que durante o século XV e o século XVI já existia a Quinta e a Capela.
Esta propriedade rural situa-se em Capeleira, um lugar que pertence à freguesia de Usseira, Óbidos. Foi pertença, durante o século XV e XVI da família Lemos e Rêgo. Mais tarde terá sido vendida a um alentejano, tendo-lhe sido alterada a denominação para Quinta do Alentejo.

Armas de Lemos

As Armas de familia Lemos não foram encontrados em todo o complexo mas, de acordo com registos paroquiais, este complexo era, de facto, pertença deste ramo notável de Óbidos.
As Armas aprsentam-se de azul, seis cadernas de crescente de prata, dispostas em duas palas. Timbre: um dragão de verde, sainte, armado e lampassado de vermelho, carregado de um crescente de prata no peito.
As que foram conservadas pelo rampo secundogénito, diferenciadas nos esmaltes e números de peças são: de vermelho, cinco cadernas de crescentes de ouro, postas em aspa. Timbre: uma águia de vermelho, armada de ouro, carregada de uma caderna de crescentes do mesmo no peito e assente num ninho de sua cor.

À família portuguesa deste nome usam os genealogistas dar a maior antiguidade e nobreza, fazendo-a originária em D. Bermudo Ordoñez, senhor de Lemos, localizado no séc. III (?).

No entanto, o estudo sério de documentos indiscutíveis relega para o campo das fantasias aquela teoria genealógica.
Com efeito, o mais antigo membro da família portuguesa dos Lemos que é possível identificar com exactidão é Giraldo Martins de Lemos, escudeiro, que casou em meados do séc. XIV com Beringeira Anes, filha de João Esteves, riquíssimo comerciante de Lisboa e industrial de sapatos, que com sua mulher, Constança Anes, instituíu para aquela sua filha um grande morgado em Calhariz de Benfica no termo de Lisboa.
Daquele casamento nasceu Gomes Martins de Lemos, que foi fiel partidário da causa do Mestre de Avis, a quem serviu durante toda a guerra com Castela. A sua constância não foi esquecida por D. João I, que o fez cavaleiro e aio de seu filho natural D. Afonso, depois primeiro Duque de Bragança, dando-lhe mais o senhorio de Oliveira do Conde e promovendo o seu casamento com D. Mécia Vasques de Goes, herdeira do morgado e senhorio de Goes, com geração.
A descendência de Gomes Martins de Lemos viria a dividir-se em dois ramos, caindo cedo o primogénito em senhora, e conservando o secundogénito a varonia por algumas gerações mais.
A chefia do primeiro, que o era também das famílias dos Goes e dos Lemos, viria a pertencer à Casa dos Silveiras, Condes da Sortelha, enquanto a da segunda seria conservada pela Casa chamada dos Lemos da Trofa, por ter tido o senhorio desta vila.

Armas de Rêgo
As armas ditas antigas dos Regos são: de verde, uma banda ondada de prata, carregada de três vieiras de ouro, perfiladas de azul. Timbre: uma vieira do escudo, entre dois penachos de verde, picados de ouro.
Modernamente, as armas passaram a ser: de verde, uma banda ondada e aguada de sua cor, carregada de três vieiras de ouro. O timbre não sofreu alteração alguma.
Nome de raízes toponímicas, deriva da honra desta designação, no lugar de Lordelo, comarca de Lanhoso.
Parece ter sido o fundador da família Lourenço do Rego, que vivia em meados do século XIII, e que deixou descendência que lhe continuou o nome.

A presença da família Rêgo e Lemos advém de casamentos durante o século XIV.
Quinta do Oratório, na actualidade


A vernacular Quinta do Oratório contava com a Casa principal, Adega com Lagar, Eira e Capela, esta última dedicada a São Bento, tendo ficado conhecido por Capela de São Bento da Capeleira. A arquitectura de todo o complexo é de estilo rural.
A Capela de estilo rural, destacada tem a fachada delimitada por muro, formando um pequeno adro. "...de antiguidade mui remota, como se vê da sua construção (...) e de planta rectangular orientada e composta por corpo único. Cobertura homogénea em telhado de duas águas. Todas as fachadas apresentam paredes de alvenaria de pedra, rebocada e caiada de branco com embasamento definido por barras pretas. Nos cunhais vêem-se gigantes cilíndricos rematados por coruchéus cónicos. Na fachada observa-se uma porta com ombreiras em cantaria chanfrada da primitiva construção. Fachada principal voltada a Oeste, formando empena simples na qual se rasga um pórtico axial e, sobre esta, um janelão quadrangular, guarnecidos a cantaria.

Capela de S. Bento da Capeleira, Usseira, Óbidos

A ermida é formada por dois volumes diferenciados: o primeiro que serve actualmente de nave e limitado aos vértices por gigantes o segundo com uma fresta. Adossado à parte posterior está o volume do trono, com uma fresta na fachada posterior.
O interior é de nave única, paredes de alvenaria de pedra, rebocada e caiada de branco, sem ornamentos; altar-mor com uma máquina retabular simples e um trono onde se encontra a imagem do padroeiro, São Bento.
Esteve integrada no património imobiliário da Quinta do Oratório, assim conhecida por ter relação à Congregação do Oratório, a qual foi fundada por diversos padres, entre eles o Padre Francisco Gomes (natural de A-dos-Negros).

A quando da morte desse rico lavrador alentejano, sem herdeiros, a propriedade foi deixada à Santa Cruz de Coimbra, com a condição desta instituição patrocinar a presença de três padres para leccionar, no Santuário do Senhor Pedra, as disciplinas de Retórica, Teologia Moral e Filosofia. Com o tempo esta cláusula foi alterada, aceitando-se dois rapazes de Óbidos para se formarem em Coimbra, evitando a deslocação de sacerdotes para Óbidos.
Adega da Quinta do Oratório, Usseira, Óbidos
Paralelamente a toda esta investigação sobre a Quinta do Oratório, ressalva-se ainda uma habitação do centro urbano de Óbidos, a qual tem 2 inscrições em pedra e poderam representar mais um elemento da Família Lemos, no caso o brasão de armas. Apesar de não ser claro, parece que as inscrições em pedra, tendem a assemelhar-se com o trevo típico das armas de Lemos. Nelas encontramos inscrito "ANNO" e na outra "1731" o que representará o ano da construção da habitação, isto significará que no século XVIII ainda haveriam Lemos a utilizar armas em Óbidos. Por outro lado, o Trevo de Quatro Folhas simboliza, especialmente, a sorte. À cada folha é atribuído um significado: esperança, fé, amor e sorte.
Também conhecido como “trevo da sorte”, esse nome decorre da dificuldade em ser encontrado, ao contrário do trevo de três folhas que é bastante comum.
Habitação com 2 pedras em forma de Trevo de Quatro
Folhas e inscrições, Óbidos


Fonte:
Património Inventariado – Fichas
CÂMARA MUNICIPAL DE ÓBIDOS REVISÃO DO PLANO DIRECTOR MUNICIPAL
Disponível em: http://home.fa.ulisboa.pt/~miarq4p5/2010-11/2_SupportElements/1_TownHall_Elements/1_County_REVISAO%20PDM%202%AA%20Reuniao%20Plenaria/Estudos%20de%20Caracteriza%E7%E3o/Estudos_Tematicos/CMP%20Edificado/01-PATR_INVENTARIADO.pdf, consultado a 27 de março de 2017
Carta Municipal de Património Edificado
Disponivel em: http://home.fa.utl.pt/~miarq4p5/2010-11/2_SupportElements/1_TownHall_Elements/1_County_REVISAO%20PDM%202%AA%20Reuniao%20Plenaria/Estudos%20de%20Caracteriza%E7%E3o/Estudos_Tematicos/CMP%20Edificado/03-CMPE_LISTA.pdf, consultado a 27 de março de 2017

André Lopes Cardoso