sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Passeando pelo Ribatejo esquecido - Cardosas, Cardosinhas, Urjal e afins...

O concelho de Vila Franca de Xira está disperso entre área urbana e área rural, hoje falamos da rural, nomeadamente da freguesia de São João dos Montes que, desde 2013 se denomina por Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz. 
Por ser uma freguesia com uma extensa área geográfica, tem sido esquecida pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, ainda agora se constatou ao não ser incluída no Programa “Plano de ação - Estratégia de Regeneração Urbana - 2014/2020”, mais especificamente “Plano de Ação da Estratégia de Regeneração Urbana do Concelho de Vila Franca de Xira". Mais uma vez se percebe que, o interesse das Câmaras são os números, o plano de regeneração vai incidir nas zonas urbanas, principalmente nos centros históricos, o que eu apoio de pé, mas de facto as zonas rurais também precisam de ser ouvidas, não vale a pena falar de Agricultura quando é para apanhar votos e depois ignorar o assunto. 
Como dizia, a freguesia de São João dos Montes é a maior do concelho em área, mas em habitantes deve ser das mais pequenas, daí o desinteresse por parte da autarquia. No entanto, e apesar de rural, tem imensos pontos de interesse e que podiam de facto ser um ponto a explorar por turistas que se interessam por este turismo rural. Foi esse trabalho que fizemos, fomos aos locais e tentámos colher algumas informações para apresentar a este grande publico que também existem coisas em São João dos Montes, que também existem interesses em Cardosas, idem, ibidem...

Cardosas



Cardosas é uma freguesia do concelho de Arruda dos Vinhos, com 6,01 km² de área e 836 habitantes (2011). Tem como monumentos a Igreja em honra de S. Miguel Arcanjo, a Ponte romana, Fonte dos Clérigos, Fonte Ireira e o Cruzeiro (defronte à Igreja).

Igreja de S. Miguel, Cardosas, Arruda dos Vinhos

Igreja de S. Miguel e Cruzeiro de pedra, Cardosas, Arruda dos Vinhos

S. Miguel Arcanjo, Cardosas, Arruda dos Vinhos


Cardosinhas

É uma localidade próxima de Cardosas, que tem uma uma propriedade conhecida por Quinta das Cardosinhas, pertença que foi de um armador da Corte da Rainha D. Maria II, António Joaquim José Pereira, circa 1830. A Quinta contempla casarão, casas de arrumos e Capela, esta última datada de circa 1835.

A Capela foi doada ao Patriarcado de Lisboa, em 1983 sendo o único local de culto das proximidades.

As Festas em Honra de Nossa Senhora da Saúde comemoram-se num dos primeiros fins-de-semana de Junho e contam com missa solene acompanhada de fanfarra, sardinha, quermesse e baile.

Capela Nossa Senhora da Saúde, Cardosinhas
Podemos observar na aduela do portão do Celeiro da Quinta das Cardosinhas um conjunto escultórico em pedra, no qual está profusamente esculpido um cacho de uvas e as respectivas parras representando a vinha, significando assim um dos ramos agrícolas da família Gonçalves Viterbo.

Celeiro da Quinta das Cardosinhas, 1886
Ainda antes de chegar às Cardosinhas, quem vai na Estrada nacional em direcção a Arruda dos Vinhos, encontra um aglomerado de casas, perto de Rondulha que é conhecido por Casal do Urjal ou simplesmente Urjal. Pelo que percebemos é uma variedade de figueira algarvia, provavelmente existiria por ali alguma árvore de espécie. Esta zona esteve muito vocacionada à produção pecuária e agrícola e por isso, existem poucas habitações neste lugarejo. No entanto, existia um processo na Câmara para legalizar a construção nesta zona, o qual já foi aprovado. Além disso, existem imensas fazendas que se encontram abandonadas, outras em estado avançado de degradação. Nesta zona não existe nenhum monumento histórico.

André Lopes Cardoso





sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Colete Encarnado - repensamento

O Colete Encarnado é o cânone da festa popular por excelência, no entanto existe um conjunto de actividades, inerentes a esta que acabam por desvirtuá-la, contrariamente ao que se pensa. O CE 2015 sofreu de uma programação que fugiu à tradicional Festa, isto é, concertos de bandas ditas contemporâneas, como foi o caso dos Amor Electro ou dos variadíssimos grupos de sevilhanas que nada têm a ver com a Festa Tradicional Portuguesa.
Pensa-se que seria interessante haver uma modernização do programa, apesar de este ser tão característico e específico, reforçando-lhe a identidade. Por exemplo, uma Picaria é uma tradição ribatejana e deveria estar incluída nesta programação. Outro ponto que merece ser repensado é a Cerimónia de Entrega do Pampilho ao Campinho homenageado e o posterior Desfile de Campinos, Cavaleiros e Marialvas. Este Desfile poderia decorrer mais à noite, visto ser um dos momentos solenes da Festa, como que se tratasse de uma parada. Era muito mais agradável ver as ruas cheias de cavalos, charretes, durante a noite, pela fresca, não faz sentido o Desfile ser à hora de maior calor, nem para os participantes, nem para os animais, nem para os espectadores.
Existe ainda a questão cultural ligada aos artefactos vernaculares ribatejanos, numa tentativa de que o turista perceba a essência da Festa e os seus objectos de culto; como sabem, existem muitas varandas engalanadas, montras de lojas, e muitos transeuntes se perguntam o que é o cobertor de papa e não há uma brochura, um folheto que permita perceber as histórias ribatejanas e os artefactos que delas fazem parte.
A tradição de usar “o lenço encarnado ao pescoço” também ainda não está descrita, deveria existir um documento que explique ao turista a sua origem e disseminação.
O traje português de equitação, bem como o traje de campino, da varina, da avieira, são tudo objectos da nossa Cultura Popular Portuguesa que precisam urgentemente de estar descritos, de maneira a que as gerações vindouras consigam perceber a tradição tal qual ela é. Por outro lado, deveria ser reforçado o papel do Cavalo, em particular do Puro Sangue Lusitano, morador que é nas Lezírias de Vila Franca de Xira, apelando à sua conservação, quer seja enquanto cultura, como seja enquanto veículo para a campinagem, toureio ou lazer.
Os locais de sardinha, pão e vinho devidamente assinalados, quer nos folhetos, quer numa plataforma online que permita dinamizar o evento. Esta plataforma onde estejam todos os pontos de interesse, como sejam, os postos de sardinhas, tertúlias, museus, restaurantes, praça de touros, condicionamentos de trânsito, permitiria ao turista deslocar-se da melhor maneira dentro da cidade e, por isso, desfrutar da Festa.
A Confederação de Tertúlias deveria pensar nestes aspectos de dinamização da Festa, deveriam repensar a festa, perceber quais as iniciativas que deveriam estar patentes, como exemplo, fados, concurso de montras, concurso de tertúlias, carros alegóricos, quer outro tipo de ações.
Recuperar a antiga noite de Fado. Muitos ainda se lembram que a noite de Domingo era praticamente dedicada aos vilafranquenses e o espaço onde decorriam os Fados era precisamente no idílico coreto do Jardim Constantino Palha, seguido do Espectáculo de Pirotecnia. Neste momento, o jardim não está promovido, apenas é visitado aquando do espectáculo pirotécnico. Contudo, pensa-se que o fogo-de-artifício no Monte Gordo era mais visível, quer em Vila Franca, quer nas regiões próximas.

As largadas – continuam a atrair imensos aficionados.

Não deixemos que estas nossas raízes desapareçam, caso contrário as gerações vindouras não poderão constatar, como nós, a essência do nosso coração ribatejano.

André Lopes Cardoso 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

O Design nas Autarquias

O Design é uma área dita transdisciplinar (como já foi aqui vastamente dito), ou seja, é capaz de varrer um conjunto vasto de temáticas e disciplinas, potenciando a comunicação. Assim, é cada vez mais importante numa sociedade dita contemporânea, tendo-se revelado uma ferramenta base na dinamização da comunicação.
O conteúdo imagem no século XXI está cada vez mais em voga e o design entra veemente neste conceito. A questão imagética tomou conta dos nossos dias e a sociedade “vive sôfrega” por estes conteúdos. Sabe-se que é o profissional de design que desenha o veículo de comunicação, de maneira a dinamizar: eventos culturais, certames, festas, notícias – tornando-se como que uma “voz activa”.
Características importantes:
Dinamização concelhia – o design deve comunicar com a população, criando uma ligação próxima. Por outro lado, pode ser utilizado como veículo de promoção turística e cultural – valorização patrimonial. Para que estas técnicas funcionem, é importante perceber muito bem o público-alvo da nossa comunicação e desenhar uma linha de comunicação que seja coerente, capaz de captar atenções para o nosso manifesto. A estratégia de comunicação terá que ser inteligente, quer ao nível de produção de conteúdos, quer ao nível da disseminação desses mesmos conteúdos.

Actualmente sabe-se que existem imensos factores que influenciam o consumidor no “consumo da comunicação”, como por exemplo: os meios de suporte, publicidade on-line versus off-line, cartazes, cor, entre vários outros. O Município de Vila Franca de Xira está inserido num meio muito particular, quer pelos seus usos e costumes, quer pela própria envolvência. As gentes de Vila Franca estão muito ligadas ao campo, à lide do Gado Bravo e isso é uma riqueza patrimonial própria do nosso concelho. As festas, romarias, certames são muito próprios, há que utilizar o design na promoção destes momentos eventos, numa tentativa de torná-los ainda mais dinâmicos, sem lhes retirar a autenticidade, antes reforçando-a.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Traje Português de Equitação

A sociedade contemporânea tem vindo a desvalorizar um conjunto vasto de conformes, preceitos e tradições que, outrora eram levados à risca. A questão do liberalismo totalitário veio estragar muita da nossa cultura, da nossa identidade; não pensem por isso que sou antiquado, penso sim que a equipa vencedora não deve ser mexida.
Se atentarmos num vídeo ou fotografias de pessoas na primeira metade do século XX, percebemos rapidamente que os nossos usos e costumes mudaram drasticamente. A moda é, de facto uma das áreas que mais se degenerou, para pior na minha honesta opinião, apesar de cíclica. A introdução do plástico no vestuário veio tornar tudo muito mais artificial e sem qualidade, acabando por revelar modelos ridículos. A própria sociedade, numa tentativa de estar “na moda” acaba no caricato. Por isso mesmo e, não sendo especialista em moda, disserto sobre o traje português de equitação, o qual tem sido alvo de grande desprezo e falta de respeito!
Sabe-se que, o traje português de equitação foi sofrendo algumas adaptações ao longo do tempo, mas a sua génese é semelhante à indumentária utilizada em toda a Europa, após a Revolução Francesa, principalmente a Jaqueta, o Colete e as Calças.
Repare-se no caso das províncias, nalgumas delas, montar a cavalo não fazia parte das actividades quotidianas/profissionais da população, no entanto o traje utilizado era semelhante, com alguns ajustes. Podemos rapidamente percepcionar esta situação num rancho folclórico, onde nos é apresentado um quadro social diversificado, mas maioritariamente rural. A indumentária é semelhante entre os vários grupos étnicos, tanto pela cor, corte, adornos. No caso do traje português de equitação, os pormenores que lhe são inerentes fazem a diferença, distinguindo-o do traje popular.
A Jaqueta, Jaleca ou Jabona assemelha-se a uma casaca a que se cortaram as abas, trata-se de um casaco curto aflorado a linha da cintura ou terminando um pouco abaixo desta. A gola de virados é frequentemente enriquecida pela aplicação de veludo ou veludilho na sobre gola, tem dois bolsos verticais de cada lado do peito debruados com veludo, pela fenda do bolso sobressai uma réstia do tecido do forro em vermelho. A jaqueta fecha-se no peito com botões ou alamares que podem ser de prata ou cordão. Atualmente tem-se visto, cada vez mais, jaquetas em que a gola é forrada a pele de raposa. O colete é abotoado até a altura do diafragma podendo este ter a gola de revirados e ter a abertura a frente em forma de V ou arredondado para se possa ver os folhos da camisa, as costas feitas de tecido mais leve com cordão a ajustar o tronco. A calça do traje a portuguesa é de perna cortada a direito, terminando à altura do tornozelo sem dobra, o cós é alto, atingindo quase a extremidade inferior do esterno, acompanhando os rins, bem ajustado ao corpo, a braguilha de casas e botões está escondida pela pestana, mas a partir da cintura os botões tornam-se visíveis. Chapéu à portuguesa de aba larga, copa côncava com uma virola, também conhecido por "mazantini". A camisa é confeccionada com tecido fino e de boa qualidade em branco, a carcela pode ser enriquecida com pequenos canudos ou de um folho largo franzido feito do próprio tecido da camisa, o peito pode ser adornado de nervuras, ou de pregas pequenas ou largas. As botas ou botins costumam ser curtos, de maneira a poderem ser acopladas as polainas. O salto da bota é de prateleira, suportando a espora.
Em suma, as tradições são para preservar, pois são elas que definem a nossa verdadeira cultura. Tem-se visto em Feiras do Cavalo, por todo o país, pessoas mal trajadas o que acaba por vir descontextualizar tudo aquilo que aqui foi dito. Façam o favor de serem portugueses e reforcem a nossa identidade!

André Lopes Cardoso



domingo, 18 de janeiro de 2015

Feira do Melão & Salão do Cavalo

Este meu texto já convive comigo - na cabeça - há uns anos, mas tem sido um dequite difícil. Gosto muito da minha terra, mas cada vez vejo menos a sua identidade, vejo governantes virados para questões sem pertinência alguma, discutindo o , enquanto que as nossas tradições se vão desvanecendo dia após dia, ano após ano, principalmente junto das camadas mais jovens.

Lembro-me de ser uma criança muito “viajada”, mas cada vez que ia à “vila” (termo que ainda é utilizado hoje para designar Vila Franca de Xira) era uma excitação, havia muita gente na rua, festas, romarias, atividades para os mais jovens. Hoje vou abordar duas Festas que penso que eram  importantes para a economia local e obviamente para o concelho: a Feira do Melão e o Salão do Cavalo.

A Feira do Melão surgiu em 1980 na tentativa de lançar os produtos provenientes das Lezírias, escoando stocks, a preços competitivos. Quem esteve à frente do certame foi o Sr. Abel Arrenzeiro Pereira (Alpiarça), o Dr. Álvaro Diniz e a Dra. Magda Leite Velho. A feira decorria normalmente no jardim Municipal Constantino Palha e era um fim-de-semana bem animado, com grupos de cantares populares, ranchos folclóricos, variadas atividades, com ligação direta à vida rural ribatejana.
O certame terminou em 2006 com os argumentos:

  • invasão do melão maioritariamente espanhol no mercado português;
  • crescentes custos de produção;
  • falta de incentivos que afastam produtores do cultivo nas Lezírias.

É de facto muito mais simples acabar com uma feira/atividade do que perceber o que está errado para depois relançar essa mesma feira. Caros, penso que esta questão nem sequer foi levantada, mas porque é que a Feira do Melão acabou?
Numa vertente contemporânea, penso que mais do que grandes bibliotecas, grandes museus de arte contemporânea, Vila Franca os vilafranquenses e ribatejanos precisam de reviver as suas origens, a sua identidade e é com este tipo de certames que isso acontece, é nestes momentos ditos populares que o português aplaude de pé.
Apresento abaixo algumas soluções para a revitalização da Feira do Melão:
  • introduzir outros produtos provenientes das Lezírias, para além do melão;
  • atualizar o certame, tentando captar outro tipo de público, como empresas, investidores;
  • efetuar passeios no Barco Varino Liberdade e outros durante o certame;
  • preservar a identidade cultural da região, bem como os produtos e artefactos;
  • tirar partido da excelente revitalização do Jardim Constantino Palha, dinamizando toda a cidade.

Salão do Cavalo

O Salão do Cavalo em Vila Franca de Xira era um certame dedicado ao cavalo, principalmente Lusitano e à Companhia das Lezírias. Sabe-se que a região de Vila Franca tem fortes ligações ao campo, à Festa Brava e, por isso, ao cavalo. O certame foi iniciado no final da década de 80, particularmente em 1989, tendo sido fortemente apoiado pelo Eng. Sommer d'Andrade, o Dr. Torcato de Freitas, José Assis Pereira Palha, Major Simões Pereira, Coronel Cabedo entre outros elementos que faziam parte da comissão organizadora. Acontecia tipicamente no primeiro fim-de-semana do mês de Maio, no local que hoje conhecemos como Campo do Cevadeiro, junto à entrada sul da cidade. Era nesse campo que vinham de todo o país cavaleiros, marialvas, e entusiastas curiosos espreitar os místicos de quatro patas. Era uma regressão ao passado com pompa e circunstância, desde os trajes típicos aos passos equestres que se vislumbravam às pargas, não só no local da feira, mas por toda a cidade.
Não só era um desfile de cultura, havia também um conjunto de provas equestres que, nalguns casos, pontuavam para o campeonato nacional. Modalidades como o Horseball, Equitação de Trabalho, Condução de cabrestos, Picaria à vara larga, Concurso do Poldro mamão, eram alguns dos momentos do certame. Normalmente acontecia também um show equestre protagonizado pelo Centro Equestre da Lezíria Grande, se a memória não me trai.
Paralelamente a este conjunto de atividades, existia também o comércio de cavalos.
Todos ganhavam com estes certame, desde cafés, restaurantes, hotéis; a própria cidade tinha outro espírito nestes dias de festa, tal como acontece na Golegã, durante a Feira de S. Martinho, mas em ponto pequeno.
Em 2003, o certame terminou no dito Campo do Cevadeiro.
Entre 2004 e 2010 a festa teve lugar no Cabo das Lezírias de Vila Franca de Xira, tendo sido catapultada do centro da cidade, para uma zona inóspita. Foi uma decisão profundamente contraditória, pois alguns pensaram que ia ser um grande input para a festa, aproxima-la do campo, outros afirmavam que a festa ia durar pouco mais. Ao ser realocada no Cabo das Lezírias, a festa perdeu muita da sua magnificência. Apesar de terem sido feitos esforços para levar até lá pessoas, acontece que a festa perdeu público, perdeu visibilidade, identidade.

Porque será que terminou este certame? É uma questão que se levanta, mas que aparentemente não há resposta direta, depois de termos dissertado sobre algumas vantagens que esta festa trazia a Vila Franca de Xira. Será que foi repensado o valor que um certame desta natureza representa ao nível nacional?

Apresento alguns pontos positivos:
  • manter viva a tradição ribatejana;
  • manter viva a tradição equestre portuguesa;
  • revitalizar a cidade;
  • movimentação e fluxo de comércio, sejam restaurantes, hotéis, pensões.
Pontos a melhorar:

  • manter as raízes do certame tradicional, mas fazer ligeiras atualizações, como por exemplo, trazer a festa novamente para a cidade;
  • promover o cavalo na região, para tal, instalar um picadeiro/hipódromo em Vila Franca, de maneira a que os cavaleiros da região tenham um local onde possam treinar os seus equídeos gratuitamente, tal como acontece na Golegã (manga);
  • criar parcerias com Escolas e Companhias Agrícolas para patrocinarem o certame;
  • criar estruturas para que a festa não se desvaneça no tempo;
  • apelar a que as tertúlias tauromáquicas não só colaborem na Festa do Colete Encarnado, mas que apoiem e disseminem a Festa dos Cavalos.
As nossas tradições são a nossa identidade, são elas que nos conferem o carácter distinto dos outros povos, não os deixemos perecer.

André Lopes Cardoso



domingo, 23 de novembro de 2014

Árvore de Natal e presépio

Como já todos, de alguma maneira sabemos, o nosso país é extremamente rico em cultura, variando esta de região para região. Na época natalícia, muitas são as tradições que vêm à tona, mas muitas delas suscitam duvidas, principalmente sobre a árvore de natal e o presépio.

Civilizações antigas que habitaram os continentes europeu e asiático no terceiro milénio a.C já consideravam as árvores como um símbolo divino. Essas crenças ligavam as árvores a entidades mitológicas, pois a sua projeção vertical desde as raízes fincadas no solo, marcava a simbólica aliança entre os céus e a mãe terra.
Nas vésperas do solstício de inverno, os povos pagãos da região dos países bálticos cortavam pinheiros, levavam-nos para seus lares e enfeitavam-nos de forma muito semelhante ao que se faz nas atuais árvores de Natal. A primeira árvore de Natal foi decorada em Riga, na Letónia, em 1510.

Árvore de Natal, sendo que o pinheiro é artificial
No início do século XVIII, o monge beneditino São Bonifácio tentou acabar com essa crença pagã que havia na Turíngia, para onde fora como missionário. Com um machado cortou um pinheiro sagrado que os habitantes locais adoravam no alto de um monte. Como teve insucesso na erradicação da crença, decidiu associar o formato triangular do pinheiro à Santíssima Trindade e as suas folhas resistentes e perenes à eternidade de Jesus. Nascia aí a Árvore de Natal.

Acredita-se também que esta tradição começou em 1530, na Alemanha, com Martinho Lutero. Certa noite, enquanto caminhava pela floresta, Lutero ficou impressionado com a beleza dos pinheiros cobertos de neve. As estrelas do céu ajudaram a compor a imagem que Lutero reproduziu com galhos de árvore em sua casa. Além das estrelas, algodão e outros enfeites, ele utilizou velas acesas para mostrar aos seus familiares a bela cena que havia presenciado na floresta.
Há outras versões, porém, a moderna árvore de natal teria realmente surgido na Alemanha entre os século XVI e XVIII. Não se sabe exatamente em que cidade ela tenha surgido. Durante o século XIX a prática foi levada para outros países europeus e para os Estados Unidos. Apenas no século XX esta tradição chegou à América Latina.

A tradição portuguesa é de facto o presépio. Começando pela extrapolação da palavra, presépio significa o local onde de se guarda o gado. Por outro lado, sabe-se também que o presépio é a referencia cristã que relaciona o nascimento de Cristo numa gruta especial em Belém, na companhia de Nossa Senhora, São José, uma vaca e um burro. O nascimento deu-se numa gruta, pois Nossa Senhora e José andavam em recenseamento de toda a região e, na noite de 24 de Dezembro refugiaram-se numa gruta destinada ao abrigo de animais, daí Jesus ser representado no presépio, deitado numa manjedoura com palhinhas.

Contudo, e de maneira a celebrar o nascimento de Jesus – Nosso Salvador – várias culturas começaram a construir o presépio aquando da chegada da época natalícia. Muitas podem ser as diferenças, tanto de tamanho, como em figuras, mas o mais importante é reunir a sagrada família Jesus, Nossa Senhora e São José. O primeiro presépio que surge foi concebido em Argila por São Francisco de Assis, em 1223. Com esta pratica, o costume espalhou-se por entre as principais catedrais, igrejas e mosteiros da Europa, durante a Idade Média. Foi já no século XVIII que o costume se disseminou por todo o mundo.


Presépio Português

Tal como foi dito anteriormente, o presépio pode apresentar-se de várias maneiras, contudo o elemento chave é o Menino Jesus. Existe também o costume de colocar o Menino Jesus nas palhinhas, depois da Missa do Galo. Tendencionalmente é também junto do presépio que se colocam os presentes que posteriormente serão distribuídos pela família, em referencia aos presentes que os Reis Magos ofereceram ao Menino Jesus. A execução do presépio dá-se no dia 8 de Dezembro – Dia de Nossa Senhora da Conceição – e o desmontar dá-se no dia 7 de Janeiro, dia seguinte ao Dia de Reis.

Presépio tradicional português
Alenquer é a vila portuguesa conhecida por ser a Vila Presépio, pois em 1968 começou a montar um gigantesco presépio da autoria de Álvaro Duarte de Almeida, numa das suas colinas altaneiras. No entanto, este epítome era já desta vila portuguesa desde o século XIII, altura em que fixou aí o primeiro convento franciscano da península ibérica. Frei Zacarias, enviado por São Francisco de Assis encontra em Alenquer um cenário a que chama de autêntica Belém, terra onde nasceu Jesus.

O Presépio Português é diferente dos presépios que encontramos noutros países, pois é formado por figuras que não correspondem à época que deveriam de facto representar. Excluindo a Sagrada Família, os Pastores e os Reis Magos, as restantes peças que surgem no presépio foram adicionadas de maneira a dar um cunho “aportuguesado” à história. As peças são normalmente dispostas numa plataforma firme, revestida com musgo, de maneira a tornar o artefacto mais natural, há que use também água para simular os rios, também há quem opte por colocar espelho ou papel de prata. Pode-se encontrar o moleiro, a lavadeira, bailarinos de rancho folclórico, banda de música, mulher com cântaro à cabeça, castelos, pontes romanas, fontes, variados animais, entre outros. Estas peças são normalmente de cerâmica provenientes dos arredores de Barcelos, onde ainda hoje são produzidas em larga escala. Já em Estremoz, o presépio é bastante típico, concebido com base nas peças dos conhecidos Bonequeiros de Estremoz.

Em Lisboa, existe na Basílica da Estrela um presépio da autoria de Joaquim Machado de Castro que é um verdadeiro ex-libris.

Presépio da autoria de Machado de castro, Basílica da Estrela
Atualmente muitos são os artistas ou curiosos que criam os seus presépios.

Presépio concebido com base em pessoas.