sábado, 29 de junho de 2013

HABEMOS SEMANA DA CULTURA TAUROMÁQUICA, HABEMUS COLETE ENCARNADO!


Com o terminus do mês de Junho começa-se a sentir a agitação nas gentes ribatejanas, engalanando as varandas e janelas, limpando e abrindo as casas desocupadas durante o rigoroso Inverno, a cidade - Vila Franca de Xira - começa a inspirar-se e a preparar-se para a epítome das festas populares portuguesas de variante tauromáquica, o Colete Encarnado.

Como antecessores do 81º Colete Encarnado, foram inauguradas algumas exposições que vêm compor e encenar algumas outras abordagens da festa popular, mostrando assim algumas diferentes visões do que é a festa popular por excelência. No dia 28 de Junho foi inaugurada a Exposição “O Campino, imaginários de uma identidade” que é uma mostra de várias representações de arte portuguesas, desde a Pintura, à Escultura. A exposição está patente até Outubro e contou com o visionamento de um vídeo relativo à cidade e ao Campino, culminando com um momento de Fado na inauguração. Quanto ao conteúdo da exposição, revela-se que o imaginário do campino é uma temática regional e popular muito intensa que perpetua nas gentes ribatejanas. Sendo o campino o centro de toda a exposição, são visíveis algumas diferentes visões relativamente a esta . A exposição inicia-se com alguns jornais regionais que fazem referência à temática central, bem como ao Colete Encarnado. Estão ainda representados pintores como Simão da Veiga, Stuart Carvalhais, Rafael Bordalo Pinheiro, Júlio Goes, com visões diferentes, mas que conseguem transmitir a essência do homem que trabalha no campo a dorso de cavalo, comandando gado bravo.

Paralelamente à inauguração da Exposição “O Campino, imaginários de uma identidade” foram hoje, 29 de Junho, inauguradas quatro outras exposições sobre a temática tauromáquica, representando assim a cultura popular. O início da Semana da Cultura Tauromáquica de Vila Franca de Xira deu-se hoje, nos Paços do Concelho de Vila Franca de Xira, mais precisamente no Salão Nobre da Câmara Municipal. Este enceto foi comunicado pela presidente da câmara, Maria da Luz Rosinha, num discurso emotivo, que fazia ponte entre a cultura tauromáquica e a própria Festa Brava. Ainda nos Paços do Concelho estará patente a exposição da artista Ana Maria Malta intitulada “Emoções Taurinas”. É uma pequena mostra dos trabalhos da artista que tenta, de alguma maneira, transmitir as emoções que são sentidas tanto na área, como nas bancadas de uma praça de touros.


Posteriormente foi também inaugurada a Exposição “Cartazes de Seda”, uma pequena reunião de alguns cartazes concebidos em seda, técnica que caiu em desuso, mas que era bastante pertinente, pois fazia a ligação entre o cartaz publicitário e o material utilizado na indumentária do toureiro, a seda.








E, foi um dia cheio de inaugurações, foi também inaugurada a exposição “Cintas Encarnadas” na Igreja-Museu Mártir Santo São Sebastião. Neste local idílico-religioso, foram instaladas algumas obras de arte contemporânea que, analogamente, tentam fazer a ponte entre o religioso e a festa brava. Os artistas que fazem parte desta exposição são Paulo Robalo, Mathieu Sodore e Cláudia Teixeira.  Neste caso, podem-se observar instalações, pinturas e fotografias, mas sempre com enfoque no Forcado.

Em jeito de culminar, a Câmara Municipal e o Museu do Neo Realismo uniram-se e apresentaram um acervo de Boligán intitulado “Faenas de Tinta”. O acervo é bastante interessante e revelador de um profundo conhecimento do traço e do desenho de jeito humorístico. É assim que se inicia uma Semana Cultural Tauromáquica, conjugando várias expressões e campos da arte com enfâse na temática tauromáquica. É desta maneira que se anseia o Colete Encarnado, é desta maneira que se vive a Festa Popular.




André Lopes Cardoso

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Nélson Oliveira

A data de entrega da nossa investigação sobre a Cultura Popular Portuguesa está próxima e hoje apetece-me partilhar convosco um tema que me suscitou imenso interesse, Nélson Oliveira. Já tem alguns seguidores, mas o interesse da nossa tese também se resume na divulgação de novos artistas portugueses. Assim sendo, apresento-vos um texto que teve por base uma entrevista ao artista.

Nélson Oliveira nasceu a 1985, em Airó (Barcelos), no berço de uma família que em nada se ligava às Artes. Começou por pintar telas, atividade que ainda desempenha, mas o contato que teve com artesãos ligados ao Figurado despoletou-lhe o interesse, passar de uma realidade bidimensional para uma tridimensional. Um dos seus colegas declarou que Nélson tinha muito “jeito” para pintar, então que deveria experimentar o barro. Pouco tempo depois, começou a trabalhar o barro e ainda não o conseguiu largar. É um autodidata na arte de modelar, mas posteriormente contou com a orientação de dois colegas de profissão João Ferreira e Manuel Macedo.
A modelar o barro em 2005 e, desde então, foi um sucesso. Todo o seu trabalho consiste na modelação totalmente manual do barro, usando algumas técnicas adquiridas e outras transmitidas por colegas da área. Com a prática e destreza manual que tanto o caracteriza, Nélson utiliza técnicas e métodos que o próprio desenvolveu.



A temática das suas peças não tem limites, mas o seu foco é desenvolver produtos artesanais a partir de temas quotidianos, reportando sempre para o clássico. Aprecia o trabalho desenvolvido por Manuel Macedo, Joaquim Esteves, Família Baraça, Irmãos Mistério. As suas peças têm três características distintas de todos os outros ceramistas barcelense, são como que a imagem de marca de Oliveira.
O embutimento dos olhos na peça é um dos traços distintivos, bem como as grandes bochechas. Oliveira, de alguma maneira, caricatura os seus cerâmicos, tornando-os únicos. Os pés sempre descalços remetem para uma abordagem bastante popular e simples. Mantendo sempre estas características, bem como as características do Figurado de Barcelos, tentando utilizar, sempre que pode, cores alegres, pois são elas que transmitem o espírito português. Conta que não tem peças preferidas, mas a última que concebe é sempre a sua eleita. Revela ainda que as que lhe dão mais gosto conceber é Galinha a parir, Galo pregado na cruz, Diabo, Santo António, Galo Humanizado, sendo que as mais populares são Santo António, Presépio e o Galo.





A sua fértil imaginação revela-se quando tem que criar algo inovador, como foi o caso da peça Galinha a parir, com qual recebeu o prémio Revelação na Feira de Artesanato e Cerâmica de Barcelos, em 2011. Desde o sagrado ao profano, do quotidiano às tradições tudo é contemplado no seu vasto espólio de Figurado, como por exemplo o Santo António tradicional, o Santo António brincalhão, Galos Homem, Galos Zé Povinho, Galos Médico.



Para os mais curiosos, deixo-vos a morada:

www.nelson-oliveira.com

André Lopes Cardoso

domingo, 19 de maio de 2013

Coração ribatejano

O coração ribatejano é um coração cheio de histórias, lendas, heranças, campo, Festa Brava. Foi neste sentido que surgiu o interesse de criar o coração ribatejano, um ícone cultural que revela as inspirações ribatejanas. A almofada coração representa o Ribatejo na sua plenitude, com recurso a materiais e motivos regionais, como a serapilheira, a grega do traje do rancho folclórico, as flores das Lezírias, barrete verde, fado. O coração ribatejano é uma reunião de artefactos regionais ribatejanos, escrupulosamente compilados e patentes em almofadas e porta-chaves. Adquira já a sua almofada coração personalizada, tanto em cores, como em artefactos e materiais, que pode ser utilizada nas nossas tertúlias, pois representa e bem o nosso Colete Encarnado, a Festa Popular! 





Encomende na página da artista:

https://www.facebook.com/pages/Arte-Caravela/485702034830834?fref=ts


André Lopes Cardoso

quinta-feira, 9 de maio de 2013

=MOCHO=


Descobri há poucos dias uma canção que me fez lembrar as minhas vivências de criança, em que ambicionava ser grande e ter um voto em qualquer assunto. Agora que sou adulto, preferia ser criança, despreocupado, sem ter tantas obrigações – é a saída do ninho.
O tempo é um elemento poderoso que nos controla e que nos faz tomar decisões, tudo é pensado consoante um tempo, um compasso, uma batida. Esta cantiga e letra é uma simbiose perfeita entre a própria escrita e o incrível arranjo musical, acompanhado por uma belíssima voz, comovente e envolvente.
Faz parte do nosso reportório de cantigas portuguesas contemporâneas que, por serem portuguesas, não têm a exposição devida! Grande banda!



=MOCHO=

O tempo que divides e preenches, nem hesitas
O refrão que vocalizas com o coração junto à boca
O outro que sintetizas nas palavras que és pois, aos ouvidos dos encantos, passantes, ouvintes, perdidos
E anda com o olhar derretido na tua pele,
A sorrir sem saber, no ninho que te faz feliz.

MOCHO

Aqui chegas, aqui levas aquele céu que te contém
Nem tu sabes, imaginas o palco sobre o mundo
Tu trabalhas, vendo sempre o concerto que lá vem
Nem tu sabes, imaginas o palco sobre o mundo
O dia dá como o olhar que atido na tua pele
A sorrir sem sair do ninho que te faz feliz.

MOCHO

O dia dá como o olhar que atido na tua pele
A sorrir sem sair do ninho que te faz feliz.


André Lopes Cardoso