segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Delta Qultura medium

O Delta Qultura medium surge do conceito desenvolvido durante a tese de mestrado intitulada "Cultura Popular Portuguesa - utilização de objectos da Cultura Popular Portuguesa para Design de Ambientes de Espaços Comerciais". É um espaço convivial por excelência que abraça dois grandes conceitos: Cultura Popular Portuguesa e o Universo da marca Delta Cafés. Escolheu-se a Delta, pois é uma marca nacional que tem feito um trabalho bastante interessante de preservação e disseminação da nossa Cultura. 
O espaço conta com cerca de 40m2. É um espaço cosmopolita, mas ao mesmo tempo revelador da nossa cultura vernacular, dispondo de alguns ambientes diferentes. Para o efeito criou-se a zona de atendimento (balcão) contracenando com uma zona de estadia que é reveladora de um estilo português muito próprio e erudito. Contudo, projetou-se ainda uma zona mais recatada, mais distante da entrada do espaço, oferecendo várias hipóteses de estadia.
Na zona do balcão utilizou-se como mobiliário, como é evidente, um balcão de formato retangular, onde está assente a máquina registadora. Ainda nesta zona foi desenvolvido um outro balcão de apoio onde se encontra a zona húmida, a máquina de café e o respetivo moinho.

Na zona de estadia adjacente dispõe-se de três mesas de linha simples e respetivas cadeiras rabo-de-bacalhau, conseguindo-se 12 lugares sentados. A par desta zona de estadia, desenhou-se outra zona de permanência que conta com uma mesa grande com pés-de-galo, que é bastante representativa do Mobiliário Português do século XIX. Contudo, em cada extremidade da mesa colocaram-se cadeiras Savonarola e ao longo da mesa bancos típicos da região alentejana. Paralelamente a esta ambiente, desenhou-se uma zona de relaxamento que conta com um arquibanco tipicamente transmontano e com almofadas coração ribatejano, não esquecendo os dois tropeços que se encontram anexos à zona de relaxamento.


Vista geral da zona de estadia e da zona do balcão.
(Fonte: investigador, 2013)

O espaço conta com 24 lugares sentados e largas áreas de circulação entre os ambientes. As zonas de estadia deste espaço, foram pensadas de modo a que o cliente possa usufruir de todo o universo espacial apresentado, revendo os valores culturais e apreendendo outros que desconhece ou que estão esquecidos. Para tal, colocaram-se algumas peças de mobiliário tipicamente portuguesas, mas o foco central do projeto foi os materiais de construção. Na zona de estadia inicial (fig. 1) utilizou-se a calçada portuguesa como revestimento e na zona do balcão utilizou-se o mosaico, contracenando com a zona de relaxamento que é toda em tabuas de solho. Quanto à Iluminação colocaram-se vários pontos de luz, no balcão lanternas antigas, mas de coloração amarela, remetendo para um produto contemporâneo; colocou-se ainda um lustre com pingentes de cristal e alguns candeeiros concebidos a partir de garrafas de vinho. Na parede de fundo utilizou-se a pedra granítica, parede esta que confere conforto e rusticidade a todo o ambiente.


Zona de relaxamento, Delta Qultura medium.
(Fonte: investigador, 2013)


Zona de estadia mais recatada, Delta Qultura medium.
(Fonte: investigador, 2013)
O projeto está pronto a ser implementado em qualquer espaço, claro que com as devidas adaptações. Para mais informações contacte por e-mail.
Deixo ainda um vídeo que é capaz de representar mais eficazmente o que se falou.



André Lopes Cardoso

sábado, 26 de outubro de 2013

Tapeçarias de Portalegre


As Tapeçarias de Portalegre são como que murais, descrevendo uma maneira de estar na arte diferente, e que apesar de popular e artesanal, é reveladora de um espírito muito adulto e atento da arte. Fundada por Guy Fino e Manuel Celestino Peixeiro, em 1946, desde cedo que perceberam que o caminho do desenvolvimento seria o que estivesse relacionado com a arte atual, favorecendo assim a sua permanente atualização estética. Com todo este dinamismo e prestígio, resultantes do investimento inicial, emergiu uma marca incontornável, uma aposta na diferenciação do produto, iniciando-se com artistas ligados ao movimento neorrealista português, como Júlio Pomar, Lima de Freitas, Rogério Ribeiro, não querendo afirmar que estavam intimamente ligados a este movimento político e social, mas sim à contemporaneidade dos anos 40 e 50 do século XX. Extremamente decorativas, as Tapeçarias de Portalegre são obras de arte originais, traduzindo o espírito e o traço do pintor respetivo, sendo uma técnica totalmente manual (Perdigão, 2002).

Domingo Lisboeta, Almada Negreiros, Tapeçarias de Portalegre.
Dimensões – 4100mm X 2050mm (tríptico)
http://www.mtportalegre.pt/pt/catalogo, acedido a 13 de Março de 2013.


A grande responsabilidade de toda esta “construção” recai na desenhadora e na tecedeira, pois são elas que interpretam o desenho do artista, que será posteriormente um tapete. A desenhadora tem como função ajustar o desenho do artista, aumentando ou diminuindo, consoante o tamanho do tapete, recorrendo a um papel quadriculado próprio, sendo que cada quadrícula corresponde a um ponto – desenho de tecelagem. Posteriormente, a desenhadora cria os contornos de todos os elementos do desenho, formas e cores, passando posteriormente todo este trabalho à tecedeira, iniciando o processo de tecimento. A escolha dos matizes é crucial, caso não correspondam ao original, a tapeçaria pode perder legitimidade e impacte; para tal, as fábricas detém um vasto espólio de cores (cerca de 7000), de maneira a compor qualquer trama decorativa[1]. Após selecionadas as cores a utilizar, o desenho original é colocado no tear vertical e é iniciado o processo manual de tecelagem, criando assim uma ampliação ou diminuição, em lã, do desenho do autor. A construção da tapeçaria dá-se na horizontal, a cada passagem de trama decorativa passa-se uma fina trama de ligação, ficando esta escondida pela primeira, conseguindo-se estruturas únicas. As Tapeçarias de Portalegre são extremamente reconhecidas devido ao desenho original de artista e a todo o trabalho que é feito, desde a escolha das cores, dimensões da peça, técnica aplicada (Perdigão, 2002).
Todas as peças são limitadas entre 1 a 8 exemplares, autenticados pelo artista no bolduc[2]. São muitos os artistas que já viram as suas obras tecidas, sendo algumas feitas a convite e outras a pedido do próprio artista, vendo assim disseminados os seus conceitos e valores humanistas (Fortunato, 2013).

Bibliografia

Fortunato, F. (2013). Manufactura de Tapeçarias de Portalegre. Obtido em 13 de Março de 2013, de http://www.mtportalegre.pt/pt/

Perdigão, T. (2002). Tesouros do Artesanato Português - Têxteis (Vol. II). Lisboa: Editorial Verbo.



[1] A trama decorativa é o esquema de tecelagem, composta por oito cabos, permitindo assim misturar fios de diferentes cores, criando efeitos de profundidade, transparência, sobreposição. Toda a trama é concebida em lã, correspondendo a uma densidade de 2500 pontos/dm2.

[2] Certificado de autenticidade, o qual inclui o título da pintura, o número e dimensões da peça.