quarta-feira, 2 de abril de 2025

Quintas do Casal Velho e do Casal Novo in Santiago dos Velhos

Situado no alto da freguesia de Santiago dos Velhos, concelho de Arruda dos Vinhos não sabemos a origem da denominação: Casal Velho e Casal Novo, mas encontrámos registos paroquiais que já os empregam nos finais do século XVII. Faz extrema com a freguesia de Calhandriz e São João dos Montes, ambas pertencentes ao concelho de Vila Franca de Xira. O acesso é peculiar, entre curvas e subidas ingremes, chegamos ao planalto da freguesia.

No início do seculo XX o acesso ainda era feito a pé ou de cavalo, uma vez que o terreno era demasiado acidentado, o que impossibilitava a circulação de carroças e carros de cavalos. O único meio de transporte de rodas que era utilizado era o carro de bois, pois era o único que circulava em terreno tão escabroso.

A quinta era essencialmente dedicada ao cultivo do cereal, particularmente trigo, cevada, trigo/trevo grego, azevém. Este cereal servia para os moleiros tratarem da farinha e assim conseguia-se garantir pão em casa. O que era produzido em demasia era vendido, garantindo rendimento que suportasse as despesas. A produção animal não era explorada, havia animais de capoeira para consumo em dias de festa e domingos. O porco era criado durante o ano, a carne resultante da matança era armazenada em salga ou em tripa, quase ao jeito dos enchidos para melhor preservação, garantindo que havia carne durante uma boa parte do ano. As compras para casa eram efetuadas em Arruda dos Vinhos.

Arrisco-me a afirmar que o modo de vida nesta zona no início do seculo XX não seria muito diferente do que podemos imaginar ser no seculo XVII.

O casario de traça simples, entra em linha com o utilizado na região, não entrando em ostentações; a quinta era essencialmente funcional, dava-se prioridade ao exterior, uma vez que todos trabalhavam, a menos que fossem doentes. Na zona habitacional tínhamos a casa principal que teria a cozinha, sala e quartos, Adega, Abegoaria para os bois de trabalho, Cavalariça, dependências agrícolas; havia ainda casa de caseiros.

Quando houve necessidade, devido ao crescimento da família, (início do seculo XX) decidiu-se que os rapazes iriam habitar no Casal das Peças, que é uma propriedade anexa à quinta do Casal Velho. Conta-se que serviu de armazém/estaleiro militar às tropas portuguesas e inglesas durante as invasões francesas, fazendo parte integrante do projeto defensivo intitulado Linhas de Torres, gerido pelo Duque de Wellington.

Estas propriedades situadas na encruzilhada das Linhas Defensivas de Lisboa, proporcionaram relações próximas entre os proprietários rurais e os engenheiros que viriam de outras zonas para operacionalizarem a defensa de Lisboa. Lourenço Lopes, batizado no dia 28 de fevereiro de 1813, na pia batismal da igreja de Santiago dos Velhos, foi apadrinhado pelo meritíssimo Lourenço da Cunha d’Eça (2 de fevereiro de 1765 - Lisboa, 22 de agosto de 1833) dada a relação que este criou com a família Lopes.

Tal como acontece na Quinta do Velho, na do Casal Novo as dinâmicas eram similares. A quinta em cima era vista quase como um morgadio, uma vez que era composta por diversos terrenos distintos, mas quase todos confrontados uns com os outros, criando uma sensação de manta de retalhos.

Referir ainda que estas Quintas estão na família Lopes há cerca de 300 anos, como consta no registo de batismo de Maria Lopes, batizada em Santiago dos Velhos aos 23 de outubro de 1689, onde é referido que os pais, João Lopes e Isabel dos Reis são moradores no Casal Novo.

sexta-feira, 28 de março de 2025

Quinta do Pé do Monte, Arruda dos Vinhos

Quinta do Pé do Monte, ilustração de Luís Pereira

Sempre nos questionámos sobre a quinta altaneira que avistávamos lá ao longe, no monte de Arruda dos Vinhos. Não sabíamos a denominação, apenas que nos inquietava tanta sobriedade e enquadramento holístico. Como sabem, muitos trabalhos genealógicos foram feitos– há coisas que efetivamente nos ligam, mas que por vezes não sabemos como, expliquemos. A primeira referência que encontramos sobre a sobredita Quinta é que era pertença de Martim Afonso de Miranda, natural de Arruda dos Vinhos (Nossa Senhora da Salvação), e conseguimos provar através do casamento de sua irmã Guiomar da Costa e Miranda com o Dr. Inácio Colaço de Brito viúvo de D. Violante de Resende, falecida em Aldeia Gavinha aos 14 de outubro de 1625. O casamento deu-se em 25 de abril de 1626 na dita Quinta do pé do Monte. Faltam-nos dados históricos para prosseguir a posse da Quinta do Pé do Monte no decorrer do século XVII (não desistimos), mas descobrimos uma publicação da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos que acaba por oferecer um enquadramento da Quinta no século XX, que citamos: Quem toma a estrada de Arruda com destino ao Sobral verifica com agrado, a existência de grandes quintas, ao longo de todo o vale sobranceiro as margens do Rio Grande. Uma das propriedades constitui a Quinta do pé do Monte com cerca de 200 anos, situada numa encosta, muito próxima à pitoresca aldeia com o mesmo nome. Uma entidade bancária, o Crédito predial português ficou com a posse desta quinta, na sequência da falta de liquidação de uma hipoteca q eu fora sujeita. Seria indicado para administrador da mesma Manuel Domingos da Lage Júnior, avo do actual proprietário, Manuel Lage. Em virtude desta situação, a quinta ficaria também, conhecida como Quinta do Banco. A gestão de Manuel Domingos da Lage Júnior reverteu-se de bastante sucesso, o que lhe permitiu, por sugestão da entidade bancaria, e condições muito vantajosas, adquirir a quinta, onde fixou residência com a família. Mais tarde, seu filho, Augusto Domingos Lage, herdá-la-ia. Do espolio existente, pode ser referido um piano de meia cauda, dos finais do seculo XIX, um bilhar e algum mobiliário antigo. Esta quinta tem constituído ao longo dos tempos uma unidade agrícola bastante activa, tendo como principal produção a vinha e verificando-se uma forte ligação com a população dos arredores, nomeadamente do lugar do Pé do Monte. Este contexto, resultado do facto de esta casa ter sido uma importante unidade empregadora. Do casario que forma a quinta, refira-se a grandeza da residência principal, a que se juntam vários anexos, incluindo habitação para caseiros, adega, lagar com vara de venga, caldeira de destilação de aguardente e um lagar de azeite coma zenha movida a água que se encontra desactivado. Destaque-se a peculiaridade da cavalariça, onde se pode observar bonita azulejaria. Na eira da quinta realizavam-se grandes festas e bailaricos ao som do harmónio sobretudo por altura das vindimas em que participavam o pessoal das vindimas, os familiares e convidados da casa e os amigos de outras quintas vizinhas. Salienta-se o facto de esta quinta ter vindo a ser a “casa mãe” de um conjunto de propriedades que englobava as terras da Alagoa, Moita e Sobreiro, com uma produção de vinho que chegou a rondar as 1000 pipas. in FERREIRA, P; Câmara, P.. (2000) Quintas do Concelho, Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos. Que a história das quintas agrícolas e de recreio não se perca.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Árvore genealógica | Investigação


Fazemos investigação na área da Genealogia, através de pesquisa de assentos ou registos paroquiais de batismo, de casamento e de óbito, existentes no Arquivo Nacional da Torre do Tombo e nos Arquivos Distritais. São estas fontes os principais meios da investigação, podendo ser complementadas com outras estruturas.
Nestes registos podemos extrair vários dados como: nomes, idades, naturalidades, filiações, profissões, estatuto socioeconómico, assim como, nomes de padrinhos e testemunhas, causas da morte.
O projeto final poderá ser entregue num modelo de 5, 7 ou 9 gerações, ou noutro modelo acordado com o Cliente. No final entregamos um dossier com toda a informação extraída destes portais documentais, criando uma árvore de costados.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

The Game Fair - hunting animals







Todos os produtos literários, científicos e artísticos são frutos do esforço técnico e intelectual de alguém e por isso são protegidos por lei, garantindo que os autores tenham total propriedade sobre suas obras e o destino delas.

André Lopes Cardoso

segunda-feira, 4 de março de 2019

Conan Osiris, Telemóveis

A abstração pura e dura de uma realidade real

Um título de música que todos achamos um disparate, mas no fim da linha, cada qual tem o seu e, quando não o temos, já não somos os mesmos. O tema de querer "ligar para o céu" é uma analogia e uma "chamada" de atenção enorme, uma vez que, o telemóvel tem evoluído imenso, então "tente-se lá comunicar com um ente querido" - problemática da saudade; por outro lado, passamos horas ao telemóvel e não comunicamos presencialmente com os nossos pares; mais, deixemo-nos de ilusões, e que se utilize o telemóvel para o que realmente importa, tal qual como a Nokia dizia: "Connecting people".


O que se viu em palco, foi um happening de um valor enorme, que cruza um conjunto de artes e temas e que ultrapassa em muito o que é uma canção, tal qual o que acontece com a Ópera – conceito de obra de arte total. A voz de Conan Osiris, ou direi, Tiago Miranda, é extremamente sofrida e envolvente desde o início da atuação, por força também da sua história de vida.
O dançarino João Reis Moreira, aparece como que um alter-ego do cantor, um pouco como a alma do cantor. Excelente dançarino que consegue ter um ritmo muito diversificado, abordando dança contemporânea, étnica ou tribal, ballet clássico, numa mistura singular e até icónica, e que ajuda a colocar toda a performance num patamar superior. 
Várias são as influências músicas nesta música, desde o lusitano Fado, ibéricas de Flamenco, influências arábicas, numa comunicação tão coerente, emocional e eclética.
Se repararmos, a letra é de uma subtileza incrível, abordam-se temas como o Amor, a Saudade, a falta de Comunicação, temas tão presentes na contemporaneidade.

Viva Conan Osiris! Viva Portugal!

https://www.youtube.com/watch?v=RRbrL_eXGZg



sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Casas devolutas em Vila Franca de Xira, dezembro 2018


Há muito tempo que ando para escrever este artigo, tem-me faltado a coragem, pois interesso-me pela minha cidade, mas não me parece que a CM tenha feito pressão junto dos moradores, para que ganhem brio e vontade fazer melhor, numa cidade que é de todos e para todos.

Esta paisagem urbana não cativa, ter-se-á que criar um incentivo para que os moradores mais desinformados consigam reparar as suas habitações.

O problema que encontro é a quantidade de comércio encerrado. Muitas lojas encontram-se para alugar, mas com valores extremamente altos, impróprios para uma cidade com esta dimensão e para o tipo de negócio que aqui se pratica.


Antigo edifício da Barbearia "Atomica", em Vila Franca de Xira. Este espaço em plena Rua Serpa Pinto, em Vila Franca de Xira, aumenta o cenário péssimo de ruína em que a cidade se encontra. Até quando vamos ter que olhar para esta rede horrível?


Esta obra encontra-se começada há mais de 10 anos, junto à Marisqueira União, será para continuar com este aspecto?



É inutil ter um edifício abandonado na principal rua de comércio de Vila Franca de Xira. Este edifício de três pisos e loja (que está a funcionar) foi onde esteve implementado vários anos o Posto Médico e de Vacinação. Se fosse recuperado, poderia albergar algumas famílias...


Este lençol gigante "Mais Habitação Jovem" encontra-se a cobrir o edifício há mais de um ano. para quando uma resolução?


Mais uma obra da Câmara...




Esta era uma carvoaria, agora é uma parede prestes a ruir. O telhado já foi...



Este edifício prestes a ruir encontra-se na travessa da Misericórdia, junto à unica Igreja da cidade que serve o proposto, em dignas condições.

Este edifício sofreu um incêndio há uma série de anos. Localiza-se na Praça Pedro Vitor, uma das mais centrais da cidade. Neste momento é um pombal em ruínas.


Edifício de 2 pisos e loja num dos principais largos da cidade. É ridiculo manter este enorme edificio em ruínas, ainda para mais num sítio com imensa visibilidade, só denigre a cidade e aumenta o cenário "pós-guerra".

Outra na Praça Pedro Vitor

Esta é mesmo à entrada da cidade, junto ao cemitério.



Rua Dr. Miguel Bombarda (Rua Direita)

Rua Dr. Miguel Bombarda (Rua Direita)


Rua Serpa Pinto

Rua Serpa Pinto

Rua Serpa Pinto


Todo um quarteirão que poderia ser potenciado, junto à Estação de Comboios de Vila Franca de Xira. É incrivelmente mau o aspecto que dá à famosa "Rua da Estação" e quantas famílias caberiam em todos estes edifícios?


Assembleia Municipal da Câmara Muncipal de Vila Franca de Xira


Antigo Edifício da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, junto à Igreja Matriz de S. Vicente Mártir.


segunda-feira, 24 de setembro de 2018