Situado no alto da freguesia de Santiago dos Velhos, concelho de Arruda dos Vinhos não sabemos a origem da denominação: Casal Velho e Casal Novo, mas encontrámos registos paroquiais que já os empregam nos finais do século XVII. Faz extrema com a freguesia de Calhandriz e São João dos Montes, ambas pertencentes ao concelho de Vila Franca de Xira. O acesso é peculiar, entre curvas e subidas ingremes, chegamos ao planalto da freguesia.
No
início do seculo XX o acesso ainda era feito a pé ou de cavalo, uma vez que o
terreno era demasiado acidentado, o que impossibilitava a circulação de carroças
e carros de cavalos. O único meio de transporte de rodas que era utilizado era
o carro de bois, pois era o único que circulava em terreno tão escabroso.
A
quinta era essencialmente dedicada ao cultivo do cereal, particularmente trigo,
cevada, trigo/trevo grego, azevém. Este cereal servia para os moleiros tratarem
da farinha e assim conseguia-se garantir pão em casa. O que era produzido em
demasia era vendido, garantindo rendimento que suportasse as despesas. A
produção animal não era explorada, havia animais de capoeira para consumo em dias
de festa e domingos. O porco era criado durante o ano, a carne resultante da
matança era armazenada em salga ou em tripa, quase ao jeito dos enchidos para
melhor preservação, garantindo que havia carne durante uma boa parte do ano. As
compras para casa eram efetuadas em Arruda dos Vinhos.
Arrisco-me
a afirmar que o modo de vida nesta zona no início do seculo XX não seria muito
diferente do que podemos imaginar ser no seculo XVII.
O
casario de traça simples, entra em linha com o utilizado na região, não
entrando em ostentações; a quinta era essencialmente funcional, dava-se prioridade
ao exterior, uma vez que todos trabalhavam, a menos que fossem doentes. Na zona
habitacional tínhamos a casa principal que teria a cozinha, sala e quartos,
Adega, Abegoaria para os bois de trabalho, Cavalariça, dependências agrícolas;
havia ainda casa de caseiros.
Quando
houve necessidade, devido ao crescimento da família, (início do seculo XX) decidiu-se
que os rapazes iriam habitar no Casal das Peças, que é uma propriedade anexa à quinta
do Casal Velho. Conta-se que serviu de armazém/estaleiro militar às tropas portuguesas
e inglesas durante as invasões francesas, fazendo parte integrante do projeto defensivo
intitulado Linhas de Torres, gerido pelo Duque de Wellington.
Estas
propriedades situadas na encruzilhada das Linhas Defensivas de Lisboa, proporcionaram
relações próximas entre os proprietários rurais e os engenheiros que viriam de
outras zonas para operacionalizarem a defensa de Lisboa. Lourenço Lopes, batizado
no dia 28 de fevereiro de 1813, na pia batismal da igreja de Santiago dos
Velhos, foi apadrinhado pelo meritíssimo Lourenço da Cunha d’Eça (2 de
fevereiro de 1765 - Lisboa, 22 de agosto de 1833) dada a relação que este
criou com a família Lopes.
Tal
como acontece na Quinta do Velho, na do Casal Novo as dinâmicas eram similares.
A quinta em cima era vista quase como um morgadio, uma vez que era composta por
diversos terrenos distintos, mas quase todos confrontados uns com os outros,
criando uma sensação de manta de retalhos.
Referir
ainda que estas Quintas estão na família Lopes há cerca de 300 anos, como
consta no registo de batismo de Maria Lopes, batizada em Santiago dos Velhos
aos 23 de outubro de 1689, onde é referido que os pais, João Lopes e Isabel dos
Reis são moradores no Casal Novo.