sábado, 8 de março de 2014

Cartoon Xira 2014

Boa tarde,

Já estão abertas as portas do Cartoon Xira 2014 –  mostra de cartoons de prestigiados ilustradores portugueses – patente no Celeiro da Patriarcal em Vila Franca de Xira, de 8 de Março a 13 de Abril de 2014.


A sala de exposições está dividida em duas alas, sendo uma dedicada ao que de melhor se faz em Portugal, estando representados caricaturistas como António Antunes, José Bandeira, Carlos Brito, André Carrilho, Augusto Cid, Cristina Sampaio, António Jorge Gonçalves, António Maia, Henrique Monteiro, Joaquim Vieira. A outra ala é dedicada ao caricaturista convidado Fernando Puig Rosado.

Vale a pena visitar o certame, de facto encontram-se peças notáveis, desde um desenho muito académico e encenado, profusamente definido e notável, ao desenho tipo amorfo, mas ambos com enorme carga simbólica.

A temática não foge muito ao Governo e ao “estado de sítio” do nosso querido Portugal, quase um Carnaval bidimensional de Torres Vedras, onde podemos encontrar a odisseia do “Zé Povinho” a contracenar com Doutora Angela Merkel.

António Antunes
Swaps - O branqueamento total




Nossa Senhora de Versailles

Fernando Puig Rosado


Excelente fim-de-semana,


André Lopes Cardoso

terça-feira, 4 de março de 2014

amorfo

O ser que habita neste corpo não é compreendido, não é ouvido
É um corpo vazio, casa de um ser não amado
Habita nele a solidão, o desinteresse humano e celestial
Nesta armadura, habita a insónia, a desordem emocional, o cansaço de viver...

Haverá alguma luz para encaminhar os perdidos?
A solidão é uma arma de guerra, saber maneja-la é a preocupação, caso contrário morreremos com ela, sem nunca entendê-la, antes sofrê-la.

André Lopes Cardoso - Amorfo
Março 2014

André Lopes Cardoso

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ilustração continuação

Boa tarde,

Desde já lamento a minha ausência, mas de facto o trabalho tem sido muito, felizmente.
Antes que termine o mês sem nada dizer, decidi deixar-vos alguns dos meus desenhos ilustrativos que caracterizam, e que talvez sejam mesmo, o apanágio do nosso Ribatejo.

Cavaleiro
desenho vectorial
Janeiro 2014

Cegonha
desenho vectorial
Fevereiro 2014

Lavrador
desenho vectorial
Janeiro 2014

Perdiz
desenho vectorial
Fevereiro 2014


Brevemente haverão novidades, espero que gostem.

Excelente fim-de-semana.




sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Ilustração

Boa noite,

Para terminar o mês, a semana, e as preocupações, deixo-vos com a minha nova atividade, a Ilustração.

Neste momento estou a desenvolver um projeto que consiste na criação de desenhos vetoriais de personagens portuguesas. Comecei por fazer duas figuras ribatejanas, o Campino e a Varina, mas com uma roupagem Pop Art / Cubista. Vou criar outras, consoante as regiões e os trajes típicos.

Espero que gostem!



Campino
André Lopes Cardoso
Desenho vetorial, 2014


Para encomendas envie e-mail para: andrelopescardoso@gmail.com

Deixo-vos também a nova página de facebook: 

https://www.facebook.com/pages/Andr%C3%A9-Lopes-Cardoso/682637338426660?ref=hl

Bom fim-de-semana,

André Lopes Cardoso

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Delta Qultura large

Bom ano a todos!

Visto este ser o meu primeiro post de 2014, espero que tenham um ano repleto de coisas boas, que consigam realizar os vossos sonhos e, acima de tudo, tornem-se pessoas melhores, capazes de ajudar o próximo, pois é a sociedade que faz com que os anos sejam bons ou maus. LUTEM!
O projeto que aqui hoje apresento resulta da minha investigação de mestrado em Design de Produto, na qual foram abordados tópicos relativos à nossa Cultura Popular e ao Design de Ambientes de Espaços Comerciais, mais propriamente cafés. Já comecei por falar neste projeto no post publicado a 11 de Novembro de 2013. 

O espaço Delta Qultura large é o maior de todos os espaços projetados, tendo de área cerca de 80m2 é o ex-libris dos espaços apresentados, pois reúne a maior variedade de artefactos portugueses. O espaço conta cinco ambientes destintos: 2 zonas de estadia com mesas, 2 ambientes mais recatos e a zona de balcão, contando com 36 lugares sentados.
Pensado para um local de eleição, acaba por reunir um público variado, mas sempre um público interessado no consumo do bom café e claro, interessado nas nossas raízes culturais. O turista é outro alvo para este conceito, pois irá ter curiosidade nos elementos e artefactos que o constituem.


Fig. 51 Zona do balcão, Delta Qultura large.
(Fonte: investigador, 2013)

            A zona do balcão é desenhada dentro de uma pequena “casa” que alberga todos os utensílios necessários para preparar o café, bem como os restantes produtos que poderão ser consumidos. Ainda no balcão, colocaram-se umas pranchas que, ao mesmo tempo que auxiliam na preparação dos consumíveis, sempre também de amparo, como nas tabernas antigas. Os materiais utilizados nesta área são a parede granítica tipicamente beirã e no pavimento conjugou-se o parquet com o mosaico. A par da zona do balcão, projetou-se uma mesa alta tipo extrudido, oferecendo ao cliente uma visão panorâmica do espaço.


Fig. 52 Zona de estadia, Delta Qultura large.
(Fonte: investigador, 2013)

A zona de estadia foi pensada em recriar um pequeno ambiente totalmente tradicionalista. Para tal, projetou-se a Mesa Lamego, utilizando azulejos da Fábrica Viúva Lamego para o efeito. As cadeiras utilizadas são tipo rabo-de-bacalhau, que são cadeiras tipicamente portuguesas. Utilizou-se ainda a carpete azul para conferir um ambiente mais confortável.


Fig. 53 Zona de estadia recatada, Delta Qultura large.
(Fonte: investigador, 2013)


Fig. 54 Zona de estadia recatada, Delta Qultura large.
(Fonte: investigador, 2013)

Desenharam-se duas zonas de estadia mais recatadas, de maneira a que o cliente se sinta único no espaço. Na primeira zona recatada (fig. 53) escolheu-se o escano para completar a zona e uma árvore envasada que confere um ambiente natural ao espaço. Paralelamente colocou-se ainda um Galo de Barcelos extremamente contemporâneo, monocromático. Na segunda zona de estadia recatada, optou-se por colocar um sofá de napa com almofadas adufe e coração ribatejano, uma poltrona design e um candeeiro bastante popular, com cores fortes e vibrantes, proporcionando uma diferente experiência de espaço de café.

 



Fig. 55 Zona de estadia e consumíveis, Delta Qultura large.
(Fonte: investigador, 2013)

Nesta zona de estadia (fig. 55), pensou-se no Lenço dos Namorados e nos seus valores tão portugueses, contracenando com três mesas e cadeiras tubulares com assento em palhinha. Com esta variedade de ambientes, o cliente pode optar pelo ambiente que mais lhe agrada, podendo assim disfrutar do espaço da melhor maneira, sem preocupações e reviver as suas heranças culturais e claro, contemplar os objetos que fazem parte da Cultura Popular Portuguesa. É um espaço que irá fazer das mentes mais curiosas uma investigação sobre o que está exposto no espaço, quase como um museu acessível, onde tudo está escrupulosamente pensado.


  
Fig. 56 Showroom, Delta Qultura large.
(Fonte: investigador, 2013)

Pensou-se também em criar um pequeno showroom, pois seria uma mais-valia para a própria marca Delta Cafés, promovendo os seus produtos. O showroom contaria ainda com a exposição de alguns objetos de artistas e artesãos portugueses, oferecendo-lhes também exposição e, claro está, venda dos seus produtos e artefactos.

André Lopes Cardoso

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Calçada Portuguesa

É um tipo de revestimento de pavimento que conta com materiais como o calcário (branco) e o basalto (preto), pavimentando principalmente passeios e espaços públicos. Esta técnica é bastante utilizada nos países lusófonos, sendo que o calcetamento é executado com pedras de formato irregular, que podem ser dispostas de várias maneiras, acabando por formar um pavimento regular. A combinação da pedra calcária com o basalto pode originar padrões decorativos muito interessantes, devido ao contraste das pedras (Bairrada, 1986).
A técnica surgiu em meados do século XIX, tendo os mestres calceteiros adquirido um lugar de grande notoriedade, mas no século XV já se calcetava em Portugal, mas de uma maneira mais distinta da que hoje conhecemos, segundo as cartas régias de 20 de Agosto de 1498 e de 8 de Maio de 1500, ambas rubricadas por D. Manuel I, assinalando assim o começo do empedramento das ruas de Lisboa. A pedra utilizada na época era o granito da região do Porto, tornando a obra dispendiosa, devido ao transporte do material. O terramoto de 1755 abalou toda a economia nacional, os materiais e técnicas aplicados na reconstrução da cidade ficaram aquém dos que lá persistiam, optando-se por racionalizar os gastos em obras públicas, ficando a Arte da Calcetaria colocada de parte. Porém, em 1842 elaborou-se uma calçada calcária, muito aproximada à que hoje conhecemos. Todo o trabalho foi realizado por grilhetas a mando do Governador de Armas do Castelo de São Jorge, o Tenente-general Eusébio Pinheiro Furtado. O desenho adotado para a pavimentação dessa área foi de cariz simples, mas foi um marco na Calcetaria Portuguesa, marcando um momento de viragem nesta arte, motivando cronistas e escritores a debaterem a temática como Almeida Garrett e Cesário Verde. Após o sucesso da Calçada do Castelo, Eusébio Furtado ordenou que pavimentassem toda a área do Rossio, expandindo e disseminando a calçada por todo o país e colónias portuguesas (Bairrada, 1986).
A exposição mundial atingida pelos trabalhos desenvolvidos estava a ser admirado por todo o mundo, mestres calceteiros eram solicitados a executar e ensinar a arte no estrangeiro. De maneira a não se perder esta técnica, em 1986 foi criada uma escola para calceteiros denominada Escola de Calceteiros da Câmara Municipal de Lisboa, situada na Quinta Conde dos Arcos, na qual se ensinam as técnicas da calçada portuguesa. Em 2006 foi inaugurado o monumento ao calceteiro, patente na Rua da Vitória, em plena Baixa lisboeta (Bairrada, 1986).
A técnica de calcetar não é complicada, mas extremamente cansativa. Os calceteiros tiram partido do sistema de diáclases do calcário, com recurso a um martelo, fazendo pequenos ajustes na pedra, de maneira a que encaixem umas nas outras. Para padrões desenhados, os calceteiros recorrem a marcações, delimitando zonas diferentes a calcetar, de maneira a que repitam os motivos em sequência linear, formando frisos ou, nas duas dimensões do plano, formando padrões.
A geometria demonstrada nas calçadas do século XX apresenta-se em sete possíveis combinações simétricas no plano, sendo sete referentes aos frisos e dezassete para os motivos padronizados (Bairrada, 1986).

Num contexto de Arte Contemporânea, a temática da Calçada Portuguesa tem sido abordada incansavelmente, mostrando-se em vários e diferentes suportes, como alcatifa, papel de parede, almofadas, garrafas, entre outros objetos.

André Lopes Cardoso

Bibliografia

Bairrada, E. M. (1986). Empedrados artísticos em Lisboa: a arte da calçada-mosaico. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa.

Cultura!

A cultura é um conjunto de modelos, que informa e caracteriza um povo, uma região, uma comunidade. Esta caraterização, geral e radical, deve fomentar, intervir, qualificar, condicionar toda a vida cultural, todas as atividades culturais. É fundamental existir cultura, pois só assim conseguimos entender os diversos valores éticos do nosso comportamento social. Por um lado, é um conjunto de atividades e modos de agir, costumes, gostos, comportamentos de um povo; por outro, é a maneira do Homem se adaptar às condições de existência, acostumando-se ao meio envolvente. Porém, significa também o conjunto de elementos materiais e espirituais, também dito ; assim, nenhum povo se pode desligar destes elementos, pois são eles que o caracterizam, tornando-o único.
As medidas que visam a preservação do património, que mantêm vivas as tradições, os costumes de uma certa comunidade, são quase que uma , alheada ao aproveitamento das obras e valores legados pelos antigos ou instituídos pelos contemporâneos. Assim sendo, nenhuma comunidade deve aniquilar a ligação cultural, em detrimento de perder personalidade, tornando-se num lugar de .
Segundo Nietzsche (1873),

“é um fenómeno eterno: a ávida vontade vai sempre encontrar um meio de fixar as suas criaturas na vida através de uma ilusão espalhada sobre as coisas, forçando-as a continuar a viver. Este vê-se amarrado pelo prazer socrático do conhecimento e pela ilusão de poder, através do mesmo, curar a eterna ferida da existência; aquele vê-se envolvido pelo véu sedutor da arte ondeando diante dos seus olhos; aquele, por seu turno, pela consolação metafísica de que sob o remoinho dos fenómenos continua a fluir, imperturbável, a vida eterna: para não falar das ilusões mais comuns, e talvez mais vigorosas, que a vontade tem preparadas em qualquer instante. Aqueles três níveis de ilusão destinam-se apenas às naturezas mais nobremente apetrechadas, nas quais a carga e o peso da existência são em geral sentidos com um desagrado mais profundo e que podem ser ilusoriamente desviadas desse desagrado através de estimulantes selecionados. É nestes estimulantes que consiste tudo o que chamamos cultura”.

Friedrich Nietzsche (1873) in O Nascimento da Tragédia

A Cultura é um processo que está permanentemente em evolução e mutação, sendo um desenvolvimento de uma sociedade, fruto da coligação de um coletivo, aprimorando sempre os valores religiosos, étnicos, materiais, linguísticos, costumes, rituais, culinária, vestuário

André Lopes Cardoso