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domingo, 18 de janeiro de 2015

Feira do Melão & Salão do Cavalo

Este meu texto já convive comigo - na cabeça - há uns anos, mas tem sido um dequite difícil. Gosto muito da minha terra, mas cada vez vejo menos a sua identidade, vejo governantes virados para questões sem pertinência alguma, discutindo o , enquanto que as nossas tradições se vão desvanecendo dia após dia, ano após ano, principalmente junto das camadas mais jovens.

Lembro-me de ser uma criança muito “viajada”, mas cada vez que ia à “vila” (termo que ainda é utilizado hoje para designar Vila Franca de Xira) era uma excitação, havia muita gente na rua, festas, romarias, atividades para os mais jovens. Hoje vou abordar duas Festas que penso que eram  importantes para a economia local e obviamente para o concelho: a Feira do Melão e o Salão do Cavalo.

A Feira do Melão surgiu em 1980 na tentativa de lançar os produtos provenientes das Lezírias, escoando stocks, a preços competitivos. Quem esteve à frente do certame foi o Sr. Abel Arrenzeiro Pereira (Alpiarça), o Dr. Álvaro Diniz e a Dra. Magda Leite Velho. A feira decorria normalmente no jardim Municipal Constantino Palha e era um fim-de-semana bem animado, com grupos de cantares populares, ranchos folclóricos, variadas atividades, com ligação direta à vida rural ribatejana.
O certame terminou em 2006 com os argumentos:

  • invasão do melão maioritariamente espanhol no mercado português;
  • crescentes custos de produção;
  • falta de incentivos que afastam produtores do cultivo nas Lezírias.

É de facto muito mais simples acabar com uma feira/atividade do que perceber o que está errado para depois relançar essa mesma feira. Caros, penso que esta questão nem sequer foi levantada, mas porque é que a Feira do Melão acabou?
Numa vertente contemporânea, penso que mais do que grandes bibliotecas, grandes museus de arte contemporânea, Vila Franca os vilafranquenses e ribatejanos precisam de reviver as suas origens, a sua identidade e é com este tipo de certames que isso acontece, é nestes momentos ditos populares que o português aplaude de pé.
Apresento abaixo algumas soluções para a revitalização da Feira do Melão:
  • introduzir outros produtos provenientes das Lezírias, para além do melão;
  • atualizar o certame, tentando captar outro tipo de público, como empresas, investidores;
  • efetuar passeios no Barco Varino Liberdade e outros durante o certame;
  • preservar a identidade cultural da região, bem como os produtos e artefactos;
  • tirar partido da excelente revitalização do Jardim Constantino Palha, dinamizando toda a cidade.

Salão do Cavalo

O Salão do Cavalo em Vila Franca de Xira era um certame dedicado ao cavalo, principalmente Lusitano e à Companhia das Lezírias. Sabe-se que a região de Vila Franca tem fortes ligações ao campo, à Festa Brava e, por isso, ao cavalo. O certame foi iniciado no final da década de 80, particularmente em 1989, tendo sido fortemente apoiado pelo Eng. Sommer d'Andrade, o Dr. Torcato de Freitas, José Assis Pereira Palha, Major Simões Pereira, Coronel Cabedo entre outros elementos que faziam parte da comissão organizadora. Acontecia tipicamente no primeiro fim-de-semana do mês de Maio, no local que hoje conhecemos como Campo do Cevadeiro, junto à entrada sul da cidade. Era nesse campo que vinham de todo o país cavaleiros, marialvas, e entusiastas curiosos espreitar os místicos de quatro patas. Era uma regressão ao passado com pompa e circunstância, desde os trajes típicos aos passos equestres que se vislumbravam às pargas, não só no local da feira, mas por toda a cidade.
Não só era um desfile de cultura, havia também um conjunto de provas equestres que, nalguns casos, pontuavam para o campeonato nacional. Modalidades como o Horseball, Equitação de Trabalho, Condução de cabrestos, Picaria à vara larga, Concurso do Poldro mamão, eram alguns dos momentos do certame. Normalmente acontecia também um show equestre protagonizado pelo Centro Equestre da Lezíria Grande, se a memória não me trai.
Paralelamente a este conjunto de atividades, existia também o comércio de cavalos.
Todos ganhavam com estes certame, desde cafés, restaurantes, hotéis; a própria cidade tinha outro espírito nestes dias de festa, tal como acontece na Golegã, durante a Feira de S. Martinho, mas em ponto pequeno.
Em 2003, o certame terminou no dito Campo do Cevadeiro.
Entre 2004 e 2010 a festa teve lugar no Cabo das Lezírias de Vila Franca de Xira, tendo sido catapultada do centro da cidade, para uma zona inóspita. Foi uma decisão profundamente contraditória, pois alguns pensaram que ia ser um grande input para a festa, aproxima-la do campo, outros afirmavam que a festa ia durar pouco mais. Ao ser realocada no Cabo das Lezírias, a festa perdeu muita da sua magnificência. Apesar de terem sido feitos esforços para levar até lá pessoas, acontece que a festa perdeu público, perdeu visibilidade, identidade.

Porque será que terminou este certame? É uma questão que se levanta, mas que aparentemente não há resposta direta, depois de termos dissertado sobre algumas vantagens que esta festa trazia a Vila Franca de Xira. Será que foi repensado o valor que um certame desta natureza representa ao nível nacional?

Apresento alguns pontos positivos:
  • manter viva a tradição ribatejana;
  • manter viva a tradição equestre portuguesa;
  • revitalizar a cidade;
  • movimentação e fluxo de comércio, sejam restaurantes, hotéis, pensões.
Pontos a melhorar:

  • manter as raízes do certame tradicional, mas fazer ligeiras atualizações, como por exemplo, trazer a festa novamente para a cidade;
  • promover o cavalo na região, para tal, instalar um picadeiro/hipódromo em Vila Franca, de maneira a que os cavaleiros da região tenham um local onde possam treinar os seus equídeos gratuitamente, tal como acontece na Golegã (manga);
  • criar parcerias com Escolas e Companhias Agrícolas para patrocinarem o certame;
  • criar estruturas para que a festa não se desvaneça no tempo;
  • apelar a que as tertúlias tauromáquicas não só colaborem na Festa do Colete Encarnado, mas que apoiem e disseminem a Festa dos Cavalos.
As nossas tradições são a nossa identidade, são elas que nos conferem o carácter distinto dos outros povos, não os deixemos perecer.

André Lopes Cardoso



terça-feira, 3 de setembro de 2013

Pessoa's Chess


Boa noite caros blogueiros,
Há já algum tempo que quero divulgar convosco um projeto que tive imenso gosto em desenvolver, um jogo de xadrez. Este projeto foi desenvolvido no IADE, em Dezembro de 2010, na sequência da unidade curricular de Design de Produto, com a colaboração da Profª Paula Trigueiros. É este cruzamento de artes que realmente me fascina e faz do Design uma Arte Maior.








Conceito
O projeto “Um Designer em Jogo” tem como objectivo principal integrar várias matérias leccionadas nas diferentes disciplinas, bem como estudar a morfologia de vários elementos de uma mesma “família de objetos”.
 O primeiro ponto e, se calhar o mais complexo, foi a escolha do autor a abordar, podendo este ser um pintor, um artista plástico, designer, escritor. A escolha acabou por recair em Fernando Pessoa. Após uma vasta investigação sobre a sua vida e obra, conciliaram-se vários tópicos que se consideraram pertinentes, de maneira a serem projetados no desenvolvimento projetual. Posteriormente, reuniu-se diferentes conjuntos de informação, tanto do autor, como do jogo de xadrez, pois esse era um dos objectivos – cruzamento de temáticas; criar um jogo de xadrez com base num autor, como se fosse o próprio autor a concebê-lo. Assim sendo, criaram-se checklists para facilitar o projeto, atribuindo as funções das peças do jogo do xadrez a marcos da vida de Fernando Pessoa. Conceptualmente, o projeto baseia-se em retratar a vida de Pessoa com base em objetos e artefactos que o caracterizem, sendo cada peça reminiscente a um amigo, familiar ou ao próprio Fernando Pessoa.

Fernando Pessoa
Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), foi um poeta e escritor português. É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões. 
O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um "legado da língua portuguesa ao mundo".
Por ter crescido em África do Sul, para onde foi aos sete anos em virtude do casamento de sua mãe, Pessoa aprendeu a língua inglesa, uma mais-valia na sua formação. Das quatro obras que publicou em vida, três são em língua inglesa. Pessoa dedicou-se também a traduções desse idioma.
 
Ao longo da sua vida trabalhou em várias firmas como correspondente comercial, mas também foi empresário, editor, crítico literário, ativista político, tradutor, jornalista, inventor, publicitário, publicista, ao mesmo tempo que produzia a sua obra literária. Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterónimos, objeto da maior parte dos estudos sobre a sua vida e obra. Centro irradiador da heteronímia, autodenominou-se um "drama em gente". 
Fernando Pessoa morreu de cirrose hepática aos 47 anos, na cidade onde nasceu. 
Sua última frase foi escrita em Inglês: "I don't know what tomorrow will bring... " ("Não sei o que o amanhã trará").

Explicação das Peças e Tabuleiro
Rei
Valor da Peça
O Rei é a peça mais importante do xadrez ocidental, cuja captura é o único objectivo do jogo.
 A sua mobilidade é o maior problema, pois tem de estar segura e no papel ativo que desempenha até ao final do jogo. A sua movimentação consiste no deslocamento de uma casa na direção horizontal, vertical ou diagonal, desde que ela não esteja sob ataque adversário. Caso ainda não tenha sido movimentado no jogo, é permitido ao Rei realizar um movimento especial denominado roque com uma das torres, deslocando-se várias casas horizontalmente, caso nenhuma das casas entre o Rei e a Torre estejam sob ataque e o Rei não esteja em xeque.
Personagem atribuída ao Rei
Visto que o Rei é a peça mais importante do Jogo de Xadrez, decidiu-se colocar o próprio Fernando Pessoa para o representar. O atributo escolhido para representar o Rei foi o Aparo. Sendo assim, criou-se uma coroa feita em aparos em torno da rolha do tinteiro representativo, de modo a materializar o conceito de que o rei está intimamente ligado à coroa, bem como ao Aparo (veículo da sua escrita).


Rainha
Valor da Peça
É a peça de maior valor relativo do jogo. Assim como a Torre, é capaz de, com o auxílio do Rei, vencer uma partida contra um Rei solitário. Pela sua alta mobilidade é a peça preferida do enxadrista iniciante. A Rainha ou Dama movimenta-se em linhas rectas pelas fileiras, colunas e diagonais no tabuleiro. Não pode saltar as suas próprias peças ou as adversárias e captura tomando a casa ocupada pela adversária. Devido ao seu valor, normalmente é trocada somente pela dama adversária e o seu sacrifício, em função de outras peças, são posições que normalmente determinam o desfecho da partida.
Personagem atribuída à Rainha
Visto que a Rainha é uma peça com um enorme destaque no Jogo de Xadrez, decidi colocar Ophélia Queiróz para a representar, pois não só era a amada de Fernando Pessoa (Rei) como era uma mulher de forte carácter. O atributo escolhido para representar o Rei foi o Aparo, sendo assim, criou-se igualmente para a Rainha uma coroa concebida com aparos em torno da rolha do tinteiro representativo. O que a diferencia do Rei são os aparos que compõem a sua coroa, estes são mais delicados, bem como o frasco que é mais abaulado, de silhueta angulosa.


Torre
Valor da Peça
A Torre é uma peça maior do xadrez, muito empregada na fase final do jogo devido ao seu valor estratégico e tático, sendo amplamente estudada na literatura sobre o enxadrismo. Usualmente o seu valor relativo é alto, podendo variar em função das posições das torres em colunas ou fileiras abertas, ou formações estratégicas como baterias. No início de uma partida, cada enxadrista (jogador ou interessado em jogo de xadrez) tem duas peças que são dispostas nas colunas. Raramente são utilizadas na fase de abertura devido à sua pouca mobilidade em posições fechadas e pelo seu valor. No meio-jogo são posicionadas de modo a ocuparem uma coluna aberta, visando o ataque ao Rei adversário, onde podem tomar peões não movimentados e desprotegidos. No final da partida, sobressaem sobre peças menores e peões, podendo tornarem-se decisivas. Movimenta-se em linhas retas nas colunas e fileiras do tabuleiro não podendo entretanto, pular peças adversárias ou aliadas e capturando ao ocupar a casa deixada pelo adversário.
Personagem atribuída à Torre
A torre é uma peça muito importante, então atribuí a escrita pessoana para a representar. A peça será apresentada e representada por letras, pois é desta maneira que pessoa se mantém até aos nossos dias, através da sua majestosa escrita.


Bispo

Valor da Peça
O Bispo é uma peça menor do xadrez. Na fase de abertura os bispos desempenham funções de defesa dos peões ao centro e no conceito hipermoderno são flanqueados de modo a atacar o centro à distância. No meio-jogo e final o seu valor aumenta à medida que as posições se tornam mais abertas, embora não tanto se o enxadrista possuir o par. Movimenta-se em diagonal não podendo pular peças intervenientes e captura tomando o lugar ocupado pela peça adversária. Devido à característica do seu movimento tem a deficiência da fraqueza da cor onde o seu movimento fica limitado à cor da casa de onde inicia a partida.
Personagem atribuída ao Bispo
Atribuiu-se aos bispos duas pessoas muito importantes na vida de Pessoa, Mário de Sá Carneiro e Cesário Verde. Juntos formaram o grupo que mais tarde se veio a apelidar de Geração do Orpheu. Ambos tinham uma mentalidade muito futurista e tentavam impressionar a sociedade com os textos que escreviam para a Revista Orpheu, a qual chocou a população através das temáticas e crónicas abordadas. Para a representação figurativa da peça, escolheu-se a capa do volume número 2 da Revista Orpheu, pois faz uma ligação muito boa com o conceito das restantes peças.


Cavalo

Valor da Peça
O Cavalo possui uma movimentação peculiar, não partilhada por nenhuma das outras peças do jogo. É a única peça que pode atacar a Rainha sem ser atacado por ela ao mesmo tempo. De uma maneira geral, o Cavalo ataca qualquer outra peça, com excepção do próprio cavalo, sem ser atacado por ele. A sua movimentação dá-se num padrão assemelhado a um "L". Diferente de todas as outras peças de xadrez, o Cavalo não tem o movimento tolhido por peças no meio do caminho, pois “salta” sobre quaisquer peças que estejam no seu caminho, tanto peças da mesma equipa, como peças adversárias.
Personagem atribuída ao Cavalo
O cavalo é uma peça bastante peculiar, salta por cima dos seus amigos/obstáculos para conquistar o que mais pretende, tal como Almada Negreiros e Santa-Rita Pintor. A minha escolha foi bastante simples, pois ambos os pintores eram muito próximos de Fernando Pessoa e sempre o quiseram ajudar. Pertenciam à Geração do Orpheu, geração esta que foi muito importante para “agitar as águas” em Portugal. O atributo escolhido para representar os Cavalos foram pincéis, visto que os personagens eram ambos pintores, deixando bem clara a ideia de Pintura e de pelagem de equinos.


 Peão
Valor da Peça
O Peão é a mais modesta das peças de xadrez, e cada jogador conta com 8 peões no início da partida, na segunda fileira. Quando se dão valores para as peças, geralmente o peão é a peça menos valiosa. Movimenta-se sempre para a frente, sendo a única peça que não pode retornar ou retroceder. Na primeira jogada de cada peão, ele tem a permissão de andar uma ou duas casas, mas nas outras o peão que já foi movido pode mover-se apenas uma casa de cada vez. O peão também tem uma característica interessante: ele captura de forma diferente ao seu movimento. O peão captura sempre a peça que está na próxima linha, mas nas colunas adjacentes à sua posição.
Personagem atribuída ao Peão
Atribuiu-se aos peões os heterónimos pessoanos. Visto que Fernando Pessoa utilizava imensas vezes os seus heterónimos para comunicar, decidiu-se colocá-los representativamente nos peões, pois são eles que se “chegam à frente”, os primeiros a dar a cara ao adversário, tal como Pessoa fazia. O atributo escolhido para representar os peões foram papéis, papéis estes que se encontram amassados, tal como as suas cartas perdidas. Pretende-se também assegurar a ideia da bagunça, do desconhecido, própria dos heterónimos pessoanos.


Tabuleiro
Valor da Peça
O tabuleiro de xadrez é um equipamento para a prática do xadrez, sobre o qual são dispostas as peças do jogo. 
Geralmente é de forma quadrangular, com um padrão reticulado característico com alternância de duas cores entre as suas subdivisões. Normalmente é fabricado em madeira ou em plástico, mas pode ser empregue uma grande variedade de materiais como couro, mármore, marfim, vidro ou metal.
Personagem atribuída ao Tabuleiro
O tabuleiro é uma peça muito importante no jogo de xadrez, é lá que se desenvolve todo o jogo. 
Com base no conceito ,, decidiu-se criar um tabuleiro em madeira tosca, o qual seria revestido no seu interior por veludo bordeaux. O tabuleiro é de formato tipo contentor, pois dentro do mesmo contém algumas fotografias de Fernando Pessoa, dos amigos, dos pais, os seus vícios. A "tampa" que fecha o contentor é em vidro, no qual são dispostas as peças, de modo a poder observar-se os artefactos que se encontram por debaixo do mesmo. Pensou-se que seria pertinente colocar os seus vícios, então colocou-se cigarros, fumava cerca de oitenta por dia, um poema representando a sua escrita, estudos do Horóscopo Ocidental. 


André Lopes Cardoso

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Tourada


Hoje superámos as 5000 visualizações do Blog, coisa que nunca pensei que acontecesse, pois as áreas temáticas que aqui abordamos não são de todo interessantes para o publico português comum. Porém e, de maneira a comprovar o que pensávamos, o nosso maior publico é americano, claro a seguir a Portugal. Todavia, iremos começar a escrever textos em língua inglesa, permitindo que cheguem além fronteiras, revelando a nossa Cultura, Lendas, História... 

Hoje deixou-vos um tema muito português e também muito contraditório, capaz de gerar os maiores debates e polémicas, a Tourada.


A tourada ou corrida de touros é um espetáculo de lide de touros bravos, que surgiu na Idade do Bronze. A sua expressão mais conhecida é a corrida de touros à espanhola (concretizada a pé ou a cavalo), assomada no século XII e que é praticada em vários países, tais como: Portugal, França, México, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Costa Rica, China, Filipinas, Estados Unidos.
            Para a preparação de uma tourada a cavalo, pois é a vertente mais aclamada em Portugal, existem imensos pontos que denotam a transdisciplinaridade do episódio, desde a Arquitetura da Praça, à vestimenta dos intervenientes. As praças de touros, sítio onde ocorrem os espetáculos são normalmente constituídas por arena, bancadas divididas por sectores, curros, cavalariças, capela, enfermaria. São estas características arquitectónicas e logísticas que classificam a praça em praça de primeira, de segunda ou terceira. A arena é de forma circular, de maneira a que o toureiro não fique encurralado a um canto, tendo assim, hipótese de escapar das investidas ferozes do cornípeto. O pavimento é essencialmente de areia, facilitando, claro está, a movimentação dos animais.
            As bancadas circundam a arena, tendo várias secções, criando lugares para sentar. No topo das bancadas encontra-se habitualmente uma zona coberta denominada por galerias. É o local, por excelência, onde existem camarotes para as famílias mais abastadas, para a banda que acompanha o desenrolar do espetáculo e para o diretor de corrida.
            Muitas vezes não nos damos a perceber, mas existe um imenso trabalho por de trás de uma organização de uma corrida de touros. Desde a criação do touro no campo, ao transporte para a praça, desenjaulamento e colocação nos curros, embolamento dos cornos, concepção de bandarilhas, confecção da vestimenta dos participantes, publicação dos cartéis taurinos. 
Conta-se que o Circo de Termes era um local sagrado, onde, os Celtiberos, sacrificavam touros. A Estela de Clunia[1] é a mais antiga representação do duelo entre um guerreiro e um touro.  A documentação encontrada na Península Ibérica revela que havia uma relação sagrada entre o homem e o animal, relacionando com a noção de força, bravura, poder, fecundidade, vida (Wikipédia, 2012).
Os touros lidados numa Tourada “normal” têm de possuir cerca de 500kg e terem entre quatro e seis anos, caso tenham idade inferior, diz-se que é novilhada. Antes da corrida, o diretor de corrida reúne-se com os corpos competentes e faz-se o sorteio dos touros que irão cair em sorte a cada cavaleiro. O montador é o primeiro a entrar em praça, indumentado com casaca brocada por vezes a ouro, lantejoulas e outras pedras semipreciosas, calções de montar, botas altas e tricórnio com plumas. Após dar umas pequenas voltas à arena assinala ao diretor de corrida que o touro pode entrar. É então que se houve o cornetim e é aberta a porta dos curros, para que o touro entre na arena. Após a soltura do touro, a lide é feita a cavalo, na qual o cavaleiro crava, segundo as normas, 3 bandarilhas compridas e 3 bandarilhas curtas, de modo a enfraquecer o cornípeto. Em jeito de culminar a lide da melhor maneira, por vezes, o cavaleiro crava também “ferros de palmo”, que são bandarilhas muito curtas, promovendo o cavaleiro a inclinar-se mais na reunião com o touro, acabando por arriscar mais no momento. O cavaleiro tem ajuda dos bandarilheiros que são cerca de dois ou três por cavaleiro, são  quase como os moços de confiança do cavaleiro que, por vezes, encaminham o touro no sentido pretendido pelo cavaleiro, com recurso ao capote. O seu traje é bastante rico, lantejoulas, brocados  dourados ou prateados assentam em cores simples (encarnado, verde, azul), criando um esfusiante jogo de luz e cor.
 O espetáculo foi proibido pelo Rei D. José I, pois faleceu em praça um grande amigo seu, o Conde dos Arcos. Anos mais tarde, voltaram a ser permitidas, mas com a condição de não matar o touro, exceptuando em Barrancos e Monsaraz.
Sendo um espetáculo sangrento, em que se procede ao sangramento do touro em plena arena e, claro está, ao stress a que é imposto ao cavalo, existem opiniões muito contraditórias. Claro que os Defensores dos Animais são contra tamanha suplício, pois alegam que os animais são sujeitos a grande desgaste e posteriormente angústia. No caso do touro que é submetido às farpas, as quais ficam presas na derme e que permitem um sangramento enorme, acabando por retirar imensas forças ao animal. No final da lide, quando o touro já se encontra mais fraco, entra o grupo de forcados, o qual vai pegar de caras ou de cernelha o cornípeto. O forcado possui como indumentária um barrete verde bordoado a encarnado (no caso do forcado da cara ou do grupo de Forcados do Aposento do Barrete Verde, Alcochete), jaqueta normalmente com motivos vegetalistas, naturalistas, camisa branca, gravata encarnada, cinta encarnada, calças bege e sapatos de salto de prateleira em camurça. Após o forcado pegar o touro, este é recolhido aos curros, recorrendo a um grupo de cabrestos[2], normalmente oito exemplares, que auxiliam os campinos na condução do touro.
Seguem-se os agradecimentos, tanto do cavaleiro, como dos bandarilheiros, como do forcado, momento em que o público saúda os intervenientes na lide e felicita, por vezes com ramos de flores. Quanto ao touro, são-lhe retiradas as bandarilhas ainda na praça e segue para o matadouro. Caso seja um exemplar de referencia, é-lhe poupada a vida e segue para o campo, no qual vai tornar-se semental[3], procriando.
O cavalo também é submetido a grande desgaste físico e psicológico. Para que siga na direção que o cavaleiro pretende, é-lhe colocado algum equipamento que o move na direção pretendida, sendo desta maneira, também alvo de stress e embaraço. Os apoiantes da Tourada, alegam que o espetáculo é de cariz cultural e que é uma tradição secular, o que também é verdade, daí a contradição de opiniões.



[1] Estela de Clunia data do início do século I a.C. (Idade do Ferro), encontrada em Coruña del Conde, região de Burgos, Espanha. A Estela é um objeto grego que significa “pedra erguida” onde eram inscritos símbolos, tanto funerários, como mágico-religiosos, territoriais, políticos, propagandísticos. Conta-se que é um objeto celtibérico, o primeiro a revelar o confronto entre o homem e o touro. A sua forma é de vaso paralelepipédico, ao centro encontram-se então os baixos-relevos das figuras de touro e homem com escudo, o que demonstra que o confronto entre o homem e o touro é secular.
[2] Raça mertolenga (bovino), sendo que há um cabresto que é o dominante, tendo o menor chocalho, distinguindo-se dos restantes. A sua mansidão provém de serem capados.
[3] É o touro que fecunda as vacas, como que fosse o animal alfa.