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sábado, 26 de outubro de 2013

Tapeçarias de Portalegre


As Tapeçarias de Portalegre são como que murais, descrevendo uma maneira de estar na arte diferente, e que apesar de popular e artesanal, é reveladora de um espírito muito adulto e atento da arte. Fundada por Guy Fino e Manuel Celestino Peixeiro, em 1946, desde cedo que perceberam que o caminho do desenvolvimento seria o que estivesse relacionado com a arte atual, favorecendo assim a sua permanente atualização estética. Com todo este dinamismo e prestígio, resultantes do investimento inicial, emergiu uma marca incontornável, uma aposta na diferenciação do produto, iniciando-se com artistas ligados ao movimento neorrealista português, como Júlio Pomar, Lima de Freitas, Rogério Ribeiro, não querendo afirmar que estavam intimamente ligados a este movimento político e social, mas sim à contemporaneidade dos anos 40 e 50 do século XX. Extremamente decorativas, as Tapeçarias de Portalegre são obras de arte originais, traduzindo o espírito e o traço do pintor respetivo, sendo uma técnica totalmente manual (Perdigão, 2002).

Domingo Lisboeta, Almada Negreiros, Tapeçarias de Portalegre.
Dimensões – 4100mm X 2050mm (tríptico)
http://www.mtportalegre.pt/pt/catalogo, acedido a 13 de Março de 2013.


A grande responsabilidade de toda esta “construção” recai na desenhadora e na tecedeira, pois são elas que interpretam o desenho do artista, que será posteriormente um tapete. A desenhadora tem como função ajustar o desenho do artista, aumentando ou diminuindo, consoante o tamanho do tapete, recorrendo a um papel quadriculado próprio, sendo que cada quadrícula corresponde a um ponto – desenho de tecelagem. Posteriormente, a desenhadora cria os contornos de todos os elementos do desenho, formas e cores, passando posteriormente todo este trabalho à tecedeira, iniciando o processo de tecimento. A escolha dos matizes é crucial, caso não correspondam ao original, a tapeçaria pode perder legitimidade e impacte; para tal, as fábricas detém um vasto espólio de cores (cerca de 7000), de maneira a compor qualquer trama decorativa[1]. Após selecionadas as cores a utilizar, o desenho original é colocado no tear vertical e é iniciado o processo manual de tecelagem, criando assim uma ampliação ou diminuição, em lã, do desenho do autor. A construção da tapeçaria dá-se na horizontal, a cada passagem de trama decorativa passa-se uma fina trama de ligação, ficando esta escondida pela primeira, conseguindo-se estruturas únicas. As Tapeçarias de Portalegre são extremamente reconhecidas devido ao desenho original de artista e a todo o trabalho que é feito, desde a escolha das cores, dimensões da peça, técnica aplicada (Perdigão, 2002).
Todas as peças são limitadas entre 1 a 8 exemplares, autenticados pelo artista no bolduc[2]. São muitos os artistas que já viram as suas obras tecidas, sendo algumas feitas a convite e outras a pedido do próprio artista, vendo assim disseminados os seus conceitos e valores humanistas (Fortunato, 2013).

Bibliografia

Fortunato, F. (2013). Manufactura de Tapeçarias de Portalegre. Obtido em 13 de Março de 2013, de http://www.mtportalegre.pt/pt/

Perdigão, T. (2002). Tesouros do Artesanato Português - Têxteis (Vol. II). Lisboa: Editorial Verbo.



[1] A trama decorativa é o esquema de tecelagem, composta por oito cabos, permitindo assim misturar fios de diferentes cores, criando efeitos de profundidade, transparência, sobreposição. Toda a trama é concebida em lã, correspondendo a uma densidade de 2500 pontos/dm2.

[2] Certificado de autenticidade, o qual inclui o título da pintura, o número e dimensões da peça.