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segunda-feira, 4 de março de 2019

Conan Osiris, Telemóveis

A abstração pura e dura de uma realidade real

Um título de música que todos achamos um disparate, mas no fim da linha, cada qual tem o seu e, quando não o temos, já não somos os mesmos. O tema de querer "ligar para o céu" é uma analogia e uma "chamada" de atenção enorme, uma vez que, o telemóvel tem evoluído imenso, então "tente-se lá comunicar com um ente querido" - problemática da saudade; por outro lado, passamos horas ao telemóvel e não comunicamos presencialmente com os nossos pares; mais, deixemo-nos de ilusões, e que se utilize o telemóvel para o que realmente importa, tal qual como a Nokia dizia: "Connecting people".


O que se viu em palco, foi um happening de um valor enorme, que cruza um conjunto de artes e temas e que ultrapassa em muito o que é uma canção, tal qual o que acontece com a Ópera – conceito de obra de arte total. A voz de Conan Osiris, ou direi, Tiago Miranda, é extremamente sofrida e envolvente desde o início da atuação, por força também da sua história de vida.
O dançarino João Reis Moreira, aparece como que um alter-ego do cantor, um pouco como a alma do cantor. Excelente dançarino que consegue ter um ritmo muito diversificado, abordando dança contemporânea, étnica ou tribal, ballet clássico, numa mistura singular e até icónica, e que ajuda a colocar toda a performance num patamar superior. 
Várias são as influências músicas nesta música, desde o lusitano Fado, ibéricas de Flamenco, influências arábicas, numa comunicação tão coerente, emocional e eclética.
Se repararmos, a letra é de uma subtileza incrível, abordam-se temas como o Amor, a Saudade, a falta de Comunicação, temas tão presentes na contemporaneidade.

Viva Conan Osiris! Viva Portugal!

https://www.youtube.com/watch?v=RRbrL_eXGZg



domingo, 21 de fevereiro de 2016

Sarreira

Não se sabe ao certo a origem desta família, mas sabe-se que existe na zona Oeste de Portugal, mais propriamente na região de Torres Vedras algumas pessoas com o apelido Sarreira. Porém, descobriu-se um lugar "Sarreira" entre Casal do Vale e Casal da Castelhana, na zona circundante a Freiria, que poderá ser uma pista para aprofundar os conhecimentos relativamente a este raro apelido. Encontrámos também Rua da Sarreira em Quintal, um lugarejo próximo de Mafra.

Segundo alguma investigação encontrámos algumas personalidades que assinavam com este apelido.


Padre Doutor Raúl Dias Sarreira

Foi a 06 de Novembro de 1889, em Ponte do Rol, uma localidade perto de Torres Vedras, que nasceu o Padre Doutor Raúl Dias Sarreira. Cedo ingressou no Noviciado do Barro (também perto de Torres Vedras) e foi lá que se formou sacerdote. Colaborou com a Revista Brotéria e foi professor de Física no Colégio dos Jesuítas em La Guardia (Álava).
Foi missionário em vários países africanos, fale-se de Zambézia, Somália, Moçambique (entre 1943 e 1968), entre outros. Pensa-se que foi em Boroma (Somália) que teve a sua maior missão, tendo sido professor e director da Companhia de Jesus na Igreja de S. José.

Padre Dr. Raúl Dias Sarreira

"La escuela de Boroma formó maestros y catequistas para las diócesis de Beira, Tete y Quelimane. Raul Dias Sarreira, su director, hombre de talento y gran curiosidad, dejó escritos sobre prehistoria, etnografia, numismática, física, química y cartografia. Excellentes colaboradores fueron los profesores que iban llegando, y que después tomaron la dirección de la escuela."


Igreja S. José, Boroma, Somália

Foi também diretor do INA (Instituto Nun'Alvares) entre 1932 e 1936, ainda quando este estava localizado em Caldas da Saúde, Santo Tirso.

Está mencionado na Enciclopédia Luso-brasileira e na tese de Doutoramento em História e Filosofia das Ciências de Francisco Maria de Sousa de Macedo Malta Romeiras, sob o tema "Das Ciências Naturais à Genética: A Divulgação Científica na Revista Brotéria (1902-2002) e o Ensino Cientifico da Companhia de Jesus nos Séculos XIX e XX em Portugal".
Avenida Padre Dr. Raul Sarreira, Ponte do Rol

Faleceu em Angónia (Moçambique), onde jaz, a 11 de Abril de 1968.



Boaventura Dias Sarreira

Este indivíduo foi Alferes Médico Meliciano, natural de Ponte do Rol, Torres Vedras, filho de Francisco Dias Sarreira e de Carlota Dias Sarreira. Nasceu a 23 de Novembro de 1891.
Embarcou em 20 de Janeiro de 1917 (com apenas 26 anos) para Cherburgo (localizada a norte de França), tendo chegado a Lisboa em 04 de Março de 1919; pensa-se que esta viagem foi para socorrer na 1ª Grande Guerra Mundial.
Casou com Justa Quaresma Ventura (natural do Montijo) aos dias 26 de Junho de 1923, filha de António Máximo Ventura e de Joaquina Rosa da Piedade Quaresma.

Mais tarde foi Director Clínico das Termas dos Cucos, tendo sobre as quais elaborado vários estudos de cariz médico, relativamente às potencialidades das águas e a hipertensão arterial. Este cargo ocupou-o durante 32 anos sobre a "Royai Portuguesa", tendo sido o segundo Director Clínico das Termas.


Presidente da República General Óscar Carmona com Dr. Boaventura Dias Sarreira
Inauguração Hospital Torres Vedras, 18.07.1943 

Está representado na Biblioteca Nacional de Portugal com o livro: Algumas Palavras Sobre a Terapêutica Termal dos Cucos.

Existe uma Praceta no centro de Torres Vedras dedicada ao excelente médico que foi: Praceta Dr. Dias Sarreira.


Francisco Dias Sarreira

Este membro da família foi director do Centro Académico de Democracia Cristã (CADC), em Coimbra. Percebe-se pelos escritos que deixou que era um apoiante da Nova Democracia Cristã, promovendo a cooperação, mas em simultâneo as raízes tradicionais do movimento. 
"Calcula-se a alegria de todos os rapazes ao verem desaparecer a casa antiga, tão carregada de tradições, – e que era a esperança segura de que a aspiração de tantos rapazes ia finalmente rea- lizar-se. Deve no entanto observar-se que a nossa alegria era nimbada por uma grande saudade. Dentro dessas velhas paredes tinham decorrido os sonhos, os projectos e os sacrifícios de apostolado de muitas gerações. Houve até quem chorasse ao ver tirar as primeiras telhas da casa que tinha sido a sede do CADC. E as obras foram decorrendo em ritmo nor- mal. Os alicerces, em alguns pontos fundíssimos, levaram muito tempo a cavar, e ainda mais tempo a encher. Para nossa ansiedade, cada dia que pas- sava parecia eterno, até que, à superfície começaram a surgir as paredes novas que se nos afiguravam uma aurora. No momento em que foi lançada a primeira varanda, a nossa alegria pareceu-nos não ter limites e era de ver então a “malta” a trepar pelos andaimes, conversando amigavelmente com os operários e a mirar constantemente os trabalhos que se iam efectuando com uma lentidão difícil de suportar pela nossa ânsia de rapidez.", in Jornal Novidades (1939)."

Vem referenciado na Revista do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa - Lusitânia Sacra - sob o tema Correntes Cristãs, Políticas e Missionação nos Séculos XIX e XX.


Bibliografia:

Brites, Joana (1930) Construir a História: A Sede do CADC de Coimbra 

Diccionario histórico de la Compañía de Jesús: Infante de Santiago-Piatkiewicz, Mozambique, p. 2759.

Lepierre, Charles (1932) Cucos Termal - análises por Charles Lepierre; indicações terapêuticas por Boaventura Dias Sarreira, Sociedade Progresso Industrial.

Sarreira, Boaventura Dias (1955). Algumas Palavras Sobre a Terapêutica Termal dos Cucos.

Sarreira, Francisco Dias (1939). "Depondo..." in Novidades, ano LIV, n-o 14060, Lisboa, 1 de Dezembro de 1939, pág. 5.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Lezírias e a Ilustração

Hoje deixo-vos com alguns dos meus desenhos favoritos, relativos ao Ribatejo.

Ceifeira 
desenho vectorial
Abril 2014

Forcado
desenho vectorial
Abril 2014

Varina
desenho vectorial
Abril 2014

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Ilustração tauromáquica

Boa tarde,

Hoje partilho convosco ilustrações de Tauromaquia, as quais me deram imenso gosto a conceber. Não sei se é por ser uma temática tabu em certas regiões de Portugal, o que é certo é que não podemos descurar a arte da tauromaquia em todas as vertentes.

André Lopes Cardoso - Pega
desenho vectorial
Março 2014
André Lopes Cardoso - Toureiro
desenho vectorial
Março 2014

André Lopes Cardoso - Toureiro
desenho vectorial
Abril 2014

André Lopes Cardoso

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Minha varina, Chinelas por Lisboa, Em cada esquina, É o mar que se apregoa. (Ana Moura)

Esta composição resulta de um exercício que conjuga o fado de Ana Moura com a ilustração de Stuart Carvalhais. Neste sentido, foi solicitado que ambos entrassem em harmonia, num desenho contemporâneo, mas com um cariz lisboeta, popular.

Varina - André Lopes Cardoso
desenho vetorial
Dezembro 2013

André Lopes Cardoso

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Delta Qultura large

Bom ano a todos!

Visto este ser o meu primeiro post de 2014, espero que tenham um ano repleto de coisas boas, que consigam realizar os vossos sonhos e, acima de tudo, tornem-se pessoas melhores, capazes de ajudar o próximo, pois é a sociedade que faz com que os anos sejam bons ou maus. LUTEM!
O projeto que aqui hoje apresento resulta da minha investigação de mestrado em Design de Produto, na qual foram abordados tópicos relativos à nossa Cultura Popular e ao Design de Ambientes de Espaços Comerciais, mais propriamente cafés. Já comecei por falar neste projeto no post publicado a 11 de Novembro de 2013. 

O espaço Delta Qultura large é o maior de todos os espaços projetados, tendo de área cerca de 80m2 é o ex-libris dos espaços apresentados, pois reúne a maior variedade de artefactos portugueses. O espaço conta cinco ambientes destintos: 2 zonas de estadia com mesas, 2 ambientes mais recatos e a zona de balcão, contando com 36 lugares sentados.
Pensado para um local de eleição, acaba por reunir um público variado, mas sempre um público interessado no consumo do bom café e claro, interessado nas nossas raízes culturais. O turista é outro alvo para este conceito, pois irá ter curiosidade nos elementos e artefactos que o constituem.


Fig. 51 Zona do balcão, Delta Qultura large.
(Fonte: investigador, 2013)

            A zona do balcão é desenhada dentro de uma pequena “casa” que alberga todos os utensílios necessários para preparar o café, bem como os restantes produtos que poderão ser consumidos. Ainda no balcão, colocaram-se umas pranchas que, ao mesmo tempo que auxiliam na preparação dos consumíveis, sempre também de amparo, como nas tabernas antigas. Os materiais utilizados nesta área são a parede granítica tipicamente beirã e no pavimento conjugou-se o parquet com o mosaico. A par da zona do balcão, projetou-se uma mesa alta tipo extrudido, oferecendo ao cliente uma visão panorâmica do espaço.


Fig. 52 Zona de estadia, Delta Qultura large.
(Fonte: investigador, 2013)

A zona de estadia foi pensada em recriar um pequeno ambiente totalmente tradicionalista. Para tal, projetou-se a Mesa Lamego, utilizando azulejos da Fábrica Viúva Lamego para o efeito. As cadeiras utilizadas são tipo rabo-de-bacalhau, que são cadeiras tipicamente portuguesas. Utilizou-se ainda a carpete azul para conferir um ambiente mais confortável.


Fig. 53 Zona de estadia recatada, Delta Qultura large.
(Fonte: investigador, 2013)


Fig. 54 Zona de estadia recatada, Delta Qultura large.
(Fonte: investigador, 2013)

Desenharam-se duas zonas de estadia mais recatadas, de maneira a que o cliente se sinta único no espaço. Na primeira zona recatada (fig. 53) escolheu-se o escano para completar a zona e uma árvore envasada que confere um ambiente natural ao espaço. Paralelamente colocou-se ainda um Galo de Barcelos extremamente contemporâneo, monocromático. Na segunda zona de estadia recatada, optou-se por colocar um sofá de napa com almofadas adufe e coração ribatejano, uma poltrona design e um candeeiro bastante popular, com cores fortes e vibrantes, proporcionando uma diferente experiência de espaço de café.

 



Fig. 55 Zona de estadia e consumíveis, Delta Qultura large.
(Fonte: investigador, 2013)

Nesta zona de estadia (fig. 55), pensou-se no Lenço dos Namorados e nos seus valores tão portugueses, contracenando com três mesas e cadeiras tubulares com assento em palhinha. Com esta variedade de ambientes, o cliente pode optar pelo ambiente que mais lhe agrada, podendo assim disfrutar do espaço da melhor maneira, sem preocupações e reviver as suas heranças culturais e claro, contemplar os objetos que fazem parte da Cultura Popular Portuguesa. É um espaço que irá fazer das mentes mais curiosas uma investigação sobre o que está exposto no espaço, quase como um museu acessível, onde tudo está escrupulosamente pensado.


  
Fig. 56 Showroom, Delta Qultura large.
(Fonte: investigador, 2013)

Pensou-se também em criar um pequeno showroom, pois seria uma mais-valia para a própria marca Delta Cafés, promovendo os seus produtos. O showroom contaria ainda com a exposição de alguns objetos de artistas e artesãos portugueses, oferecendo-lhes também exposição e, claro está, venda dos seus produtos e artefactos.

André Lopes Cardoso

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Delta Qultura medium

O Delta Qultura medium surge do conceito desenvolvido durante a tese de mestrado intitulada "Cultura Popular Portuguesa - utilização de objectos da Cultura Popular Portuguesa para Design de Ambientes de Espaços Comerciais". É um espaço convivial por excelência que abraça dois grandes conceitos: Cultura Popular Portuguesa e o Universo da marca Delta Cafés. Escolheu-se a Delta, pois é uma marca nacional que tem feito um trabalho bastante interessante de preservação e disseminação da nossa Cultura. 
O espaço conta com cerca de 40m2. É um espaço cosmopolita, mas ao mesmo tempo revelador da nossa cultura vernacular, dispondo de alguns ambientes diferentes. Para o efeito criou-se a zona de atendimento (balcão) contracenando com uma zona de estadia que é reveladora de um estilo português muito próprio e erudito. Contudo, projetou-se ainda uma zona mais recatada, mais distante da entrada do espaço, oferecendo várias hipóteses de estadia.
Na zona do balcão utilizou-se como mobiliário, como é evidente, um balcão de formato retangular, onde está assente a máquina registadora. Ainda nesta zona foi desenvolvido um outro balcão de apoio onde se encontra a zona húmida, a máquina de café e o respetivo moinho.

Na zona de estadia adjacente dispõe-se de três mesas de linha simples e respetivas cadeiras rabo-de-bacalhau, conseguindo-se 12 lugares sentados. A par desta zona de estadia, desenhou-se outra zona de permanência que conta com uma mesa grande com pés-de-galo, que é bastante representativa do Mobiliário Português do século XIX. Contudo, em cada extremidade da mesa colocaram-se cadeiras Savonarola e ao longo da mesa bancos típicos da região alentejana. Paralelamente a esta ambiente, desenhou-se uma zona de relaxamento que conta com um arquibanco tipicamente transmontano e com almofadas coração ribatejano, não esquecendo os dois tropeços que se encontram anexos à zona de relaxamento.


Vista geral da zona de estadia e da zona do balcão.
(Fonte: investigador, 2013)

O espaço conta com 24 lugares sentados e largas áreas de circulação entre os ambientes. As zonas de estadia deste espaço, foram pensadas de modo a que o cliente possa usufruir de todo o universo espacial apresentado, revendo os valores culturais e apreendendo outros que desconhece ou que estão esquecidos. Para tal, colocaram-se algumas peças de mobiliário tipicamente portuguesas, mas o foco central do projeto foi os materiais de construção. Na zona de estadia inicial (fig. 1) utilizou-se a calçada portuguesa como revestimento e na zona do balcão utilizou-se o mosaico, contracenando com a zona de relaxamento que é toda em tabuas de solho. Quanto à Iluminação colocaram-se vários pontos de luz, no balcão lanternas antigas, mas de coloração amarela, remetendo para um produto contemporâneo; colocou-se ainda um lustre com pingentes de cristal e alguns candeeiros concebidos a partir de garrafas de vinho. Na parede de fundo utilizou-se a pedra granítica, parede esta que confere conforto e rusticidade a todo o ambiente.


Zona de relaxamento, Delta Qultura medium.
(Fonte: investigador, 2013)


Zona de estadia mais recatada, Delta Qultura medium.
(Fonte: investigador, 2013)
O projeto está pronto a ser implementado em qualquer espaço, claro que com as devidas adaptações. Para mais informações contacte por e-mail.
Deixo ainda um vídeo que é capaz de representar mais eficazmente o que se falou.



André Lopes Cardoso